Guerra no Oriente Médio: pela primeira vez, rebeldes houthis do Iêmen realizam ataques
2026-03-29 - 00:20
Guerra no Oriente Médio: pela primeira vez, rebeldes houthis do Iêmen realizam ataques Reprodução/Jornal Nacional A guerra no Oriente Médio ganhou novos atores neste sábado (28), ampliando ainda mais o conflito quatro semanas após o início dos confrontos. Pela primeira vez, os rebeldes houthis, do Iêmen e aliados do Irã, assumiram um ataque com mísseis contra Israel. Os projéteis foram interceptados pelas defesas israelenses. A avaliação é de que a entrada dos houthis pode complicar o cenário e abrir uma nova frente de tensão, inclusive para os Estados Unidos. O grupo atua em uma região estratégica do Mar Vermelho, por onde passa uma das principais rotas do comércio mundial. Caso esse corredor seja interrompido, os impactos podem ser imediatos. Navios que saem da Ásia — especialmente de países como China e Índia — cruzam o Oceano Índico e passam pelo estreito de Bab el-Mandeb, um gargalo com cerca de 30 quilômetros de largura em alguns trechos. A partir dali, entram no Mar Vermelho, seguem até o Canal de Suez, no Egito, e então partem para a Europa. O estreito fica próximo de áreas controladas pelos houthis no Iêmen, e qualquer ataque na região pode comprometer toda a rota. Pelo local passam não apenas petróleo e gás natural, mas também produtos como eletrônicos, peças automotivas, máquinas industriais, roupas e eletrodomésticos — itens que abastecem mercados europeus — além de alimentos e insumos. Os houthis são financiados pelo Irã e já haviam provocado interrupções no tráfego marítimo com ataques a navios durante o conflito na Faixa de Gaza. Uma eventual mudança de rota, contornando o continente africano, aumentaria muito os custos e o tempo de transporte, além de pressionar Estados Unidos e países europeus a fornecer escolta militar. Israel e Estados Unidos também mantiveram ataques contra alvos no Irã, incluindo instalações industriais e nucleares. A Universidade de Teerã ficou destruída. O Crescente Vermelho iraniano afirmou que dezenas de áreas residenciais foram atingidas. Em resposta, mísseis iranianos cruzaram o céu de Israel. Segundo um policial israelense, o Irã disparou um míssil balístico de fragmentação contra uma área densamente povoada. Prédios e lojas ficaram danificados em Tel Aviv. Explosões foram vistas no céu da Cisjordânia, e sirenes de alerta soaram em Jerusalém. Em outros países da região, destroços de mísseis provocaram incêndios e deixaram feridos nos Emirados Árabes Unidos. O aeroporto do Kuwait voltou a ser alvo de ataques. Em Omã, um drone atingiu o porto de Salalah, e as operações foram suspensas. Israel também intensificou os ataques ao Líbano. Segundo a Organização Mundial da Saúde, nove paramédicos estão entre as vítimas. Outro ataque matou três jornalistas — de acordo com militares israelenses, um deles era integrante do Hezbollah. Autoridades libanesas informaram que novos bombardeios deixaram ao menos seis mortos, e moradores foram orientados a deixar áreas ao sul do rio Zahrani. Em resposta, o Hezbollah lançou foguetes contra o norte de Israel, ferindo nove militares israelenses.