Grupo de iranianos no Brasil brinda após ataque de EUA e Israel, que matou líder supremo do Irã, aiatolá Khamenei
2026-03-02 - 15:03
Fantástico mostra a repercussão do ataque ao Irã no Canadá, que tem uma grande comunidade iraniana Um grupo de iranianos que vive no Brasil se reuniu em São Paulo para reagir aos ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel contra o Irã, que culminaram na morte do aiatolá Ali Khamenei. Durante o encontro, eles fizeram um brinde e declararam: “Saúde para o povo do Irã que está lutando contra o regime da ditadura islâmica”. Apesar do tom de celebração, os relatos mostram ambiguidade emocional. “Até foi meio estranho, porque a gente está um pouco chateado que um país de fora está atacando o nosso país, mas fora disso a gente está muito feliz com a queda dessa ditadura islâmica”, disse o empreendedor Aria Nasiri. Grupo de iranianos celebra a derrubada e morte do aiatolá Ali Khamenei durante ataque conjunto de EUA e Israel. Reprodução/TV Globo/Fantástico Para integrantes da diáspora, o momento também reacende a expectativa de reencontro com familiares após anos de afastamento. “Eu posso voltar. Essa foi a primeira sensação que eu pude ter. Posso voltar depois de 12 anos, visitar minha família, minha cidade, todos os amigos que eu deixei para trás e fui embora”, afirmou a chef de cozinha Maryam Hossini. A iraniana Saena disse comemorar a possibilidade de mudanças, mas ressaltou que o cenário exige cautela. “É uma situação complicada. É uma guerra. Uma guerra sempre vem com complicação”, pontuou. O episódio expõe como parte da comunidade iraniana no exterior acompanha o conflito dividida entre a esperança de transformação política e o temor pelos impactos humanitários e pela instabilidade provocada pelos combates. Bandeira anterior ao regime dos aiatolás não tem a palavra Alá escrita. Reprodução/TV Globo/Fantástico A comunidade local reúne tanto exilados mais antigos, que deixaram o Irã após a queda da monarquia, quanto jovens que já nasceram sob o regime atual. Apesar das diferenças geracionais, o grupo compartilha críticas ao sistema político e às restrições impostas à população. No início de fevereiro, manifestações reuniram centenas de pessoas em apoio a opositores mortos durante protestos recentes no país. Em outro ato simbólico, participantes correram pelas ruas sob temperaturas abaixo de zero para homenagear atletas que, segundo ativistas, foram assassinados. “Essa é a minha bandeira, é o meu amor”, afirmou Hadi Rastakhi, que participou de uma manifestação feita como uma corrida enrolado no antigo estandarte. Entre os recém-chegados está Adelle Tafazzoli, que se mudou há dois anos. Ela diz que a decisão de emigrar foi motivada, principalmente, pelas regras impostas às mulheres. “Eu amo meu país, mas por causa desse governo e do que fazem com as mulheres, decidi vir para um lugar livre”, contou. A amiga Sarah Alisha conta que as filhas eram obrigadas a usar véu na escola e tinham aulas religiosas obrigatórias, algo com que não concordava. O uso da antiga bandeira, cada vez mais frequente em atos da diáspora, reflete um sentimento que ultrapassa a nostalgia: o gesto funciona como protesto político e como tentativa de projetar um futuro diferente para o país. Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo. PRAZER, RENATA O podcast 'Prazer, Renata' está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts. Siga, assine e curta o 'Prazer, Renata' na sua plataforma preferida.