Gêmea foi presa por engano no lugar da irmã após retirada de uma letra no nome
2026-03-24 - 10:30
Erro de identificação leva irmã gêmea inocente à prisão A moradora de Goiânia que foi presa no lugar da irmã gêmea condenada pela Justiça foi vítima de do erro por causa da retirada de uma letra do seu nome no mandado de prisão. A vítima, chamada Lucilene, foi confundida com Luciene, o verdadeiro alvo do poder judiciário. Por conta do engano, a mulher inocente passou dois dias na penitenciária de Aparecida de Goiânia , na Região Metropolitana, e agora está sendo obrigada a usar tornozeleira eletrônica, mesmo após ter sido constatada a sua inocência. A pedido da defesa da vítima, os sobrenomes serão mantidos em sigilo, para preservar a sua identidade. O mandado de prisão do qual Lucilene foi alvo foi expedido pela Justiça Federal do Tocantins em Gurupi e se refere a uma condenação definitiva da sua irmã gêmea a 18 anos de prisão por extorsão mediante sequestro e associação criminosa. ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp Em entrevista ao g1, o advogado de Lucilene, Kalleb Reis, explicou que a cliente foi presa por policiais militares em casa, na sexta-feira (20), por volta das 15h, enquanto se preparava para sair para o trabalho. Ela atua na área de bufês de eventos e por causa do erro perdeu um serviço que prestaria durante o MotoGP. Em nota, a Polícia Militar do Estado de Goiás informou que o cumprimento de mandados de prisão é realizado em estrita observância à legislação e aos protocolos operacionais da corporação (leia a íntegra da nota ao final da reportagem). O g1 procurou a seção judiciária do Tocantins do Tribunal Regional Federal da 1a Região (TRF-1), responsável pela expedição do mandado de prisão com o erro, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. O Tribunal de Justiça de Goiás determinou a soltura da gêmea inocente, mas determinou que ela use tornozeleira eletrônica até o caso ser resolvido pela Justiça Federal do Tocantins Divulgação/TJGO LEIA TAMBÉM Gêmea é presa por engano após ser confundida com irmã, diz Justiça Homem denuncia que foi preso por engano após ordem de sobrenomes ser trocada Universitária é quase presa por engano por ter nome parecido com o de suspeita de tráfico Erros sucessivos Embora no alto do mandado de prisão os dados de Lucilene fossem realmente os dela, como o nome completo, data de nascimento e filiação, na síntese do documento, em que havia mais detalhes do caso, o nome que aparecia era o correto, da irmã gêmea. Além dos policiais militares prenderem a pessoa errada, Lucilene foi levada para a Central de Flagrantes da Polícia Civil de Goiás, que, por sua vez, a encaminhou para a Casa de Prisão Provisória, no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia . A moça passou o sábado e o domingo na penitenciária. Na audiência de custódia, a juíza de plantão Letícia Silva Carneiro de Oliveira, do Tribunal de Justiça de Goiás, reconheceu o erro e determinou que Lucilene fosse solta. O próprio Ministério Público de Goiás também foi favorável à soltura. Para o advogado Kalleb, um erro como esse gera um sentimento de descrédito no poder judiciário. "Quantas pessoas inocentes efetivamente estão sendo responsabilizadas por erros tão graves como esse? Então, o sentimento é de injustiça mesmo, perpetração de injustiça", disse. Tornozeleira eletrônica Kalleb explica que a determinação do uso de tornozeleira eletrônica pela juíza da Justiça de Goiás ocorreu porque ela não tinha competência para julgar a ação. Por isso, a medida cautelar foi imposta até que a Justiça Federal corrija o caso. "A juíza fez, na verdade, um ato de socorro para conceder a liberdade dela e colocou a tornozeleira até que o TRF expeça um mandado retificando o nome e demonstrando que definitivamente não era essa pessoa", esclareceu. O advogado relatou que Lucilene está em casa, "ainda digerindo" toda a situação, principalmente pelo impacto pessoal e também profissional. "Ela está extremamente abalada, tanto pela questão de ter sido presa quanto ter perdido os eventos, ter sido desmoralizada inclusive. Além dos prejuízos psicológicos e pessoais, (o erro) ainda tem causado grandes prejuízos financeiros", afirmou. Leia a íntegra da nota da PMGO: "A Polícia Militar do Estado de Goiás informa que o cumprimento de mandados de prisão é realizado em estrita observância à legislação vigente e aos protocolos operacionais da corporação. No caso citado, a atuação policial ocorreu com base em mandado de prisão expedido pelo Tribunal Regional Federal da 1a Região (TRF1), por meio da Vara Federal de Gurupi-TO, órgão responsável pelo cadastramento das informações no sistema. Durante a abordagem e condução, a atuação policial priorizou a segurança da ocorrência e a imediata apresentação da conduzida à autoridade de polícia judiciária, a quem compete a formalização dos atos e encaminhamento ao Poder Judiciário. Foram integralmente assegurados os direitos e garantias legais, inclusive comunicação com familiares e assistência jurídica. A Polícia Militar de Goiás reafirma seu compromisso com a legalidade, a atuação técnica e o respeito aos direitos fundamentais".