Furto de vírus na Unicamp: entenda em vídeo a distância percorrida por material biológico dentro da universidade
2026-03-26 - 06:10
Furto de vírus na Unicamp: entenda em vídeo distância percorrida por material biológico O material biológico furtado do Laboratório de Virologia da Unicamp percorreu 350 metros até outros laboratórios da instituição, onde foi encontrado 40 dias depois. O g1 fez o trajeto entre o Instituto de Biologia e a Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA), para onde amostras — entre elas dos vírus H1N1 e H3N2, causadores da gripe tipo A — foram transportadas sem autorização - assista acima. Uma pesquisadora foi presa e responderá em liberdade por furto, por colocar a saúde das pessoas em risco e pelo transporte sem autorização de material geneticamente modificado. De acordo com a Polícia Federal (PF), o marido dela, Michael Edward Miller, também é investigado. O g1 apurou, ainda, que, além dos subtipos do Influenza, havia outros vírus - humanos e suínos - no conteúdo levado. Todas as amostras foram encaminhadas ao Ministério da Agricultura e Pecuária, que mantém em sigilo a informação sobre os tipos virais envolvidos no caso. A Polícia Federal nega que tenha havido contaminação externa nesse caso e garante que todas as amostras foram recuperadas e os vírus ficaram apenas dentro da universidade. O trajeto Do prédio onde está o Laboratório de Virologia da Unicamp, dentro do Instituto de Biologia, até os laboratórios da Faculdade de Engenharia de Alimentos, alvo das buscas da Polícia Federal, são cerca de quatro minutos de caminhada. Pelo caminho, que passa por corredores dos institutos, salas de aula, espaços de convivência e estacionamentos, circulam muitos estudantes e alguns profissionais da universidade. Nenhum deles estava disposto a falar oficialmente sobre o episódio. Apesar de o assunto ser conhecido por causa da repercussão do caso, poucos afirmaram saber detalhes. Outros disseram que não poderiam comentar o furto do material biológico. Departamento de Ciência de Alimentos (DCA) da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp Estevão Mamédio/g1 Entre os profissionais da FEA, uma confirmou que as atividades de pesquisa não puderam ocorrer durante a manhã de segunda-feira (23), período em que os laboratórios alvos da investigação permaneceram interditados. Dois funcionários relataram que as buscas, no entanto, tiveram início no sábado (21), com a presença de pelo menos 20 agentes da PF. Até espaços vazios, sem qualquer equipamento, teriam sido vistoriados. LEIA TAMBÉM Furto de vírus na Unicamp: H1N1 estava entre amostras levadas de laboratório Risco à saúde: amostras de vírus furtadas na Unicamp estavam em laboratório com maior nível de biossegurança disponível no Brasil Furto de vírus na Unicamp: PF diz que também investiga marido de pesquisadora, e descarta risco à população Furto em laboratório da Unicamp: Justiça concede liberdade a professora e diz que amostras levadas eram vírus Unicamp aciona Polícia Federal e interdita laboratórios após furto de material de pesquisa Após interdição de laboratórios, PF prende mulher suspeita de furtar material biológico da Unicamp Professora da Unicamp investigada por furto de vírus estuda vacinas e doenças em animais H1N1 e H3N2 Imagem de arquivo do vírus H1N1 reprodução O Laboratório de Virologia da Unicamp é uma área de nível 3 de biossegurança (NB-3), que exige protocolos rigorosos e é, atualmente, o nível mais alto possível para se estudar agentes infecciosos (como vírus e bactérias) em laboratórios no Brasil. 🔎 Classe de risco 3 é aquela em que o agente infeccioso apresenta alto risco para o indivíduo e risco moderado para a comunidade. São agentes que podem causar doenças graves ou letais, transmitidos especialmente pelo ar, e podem se espalhar na comunidade, embora existam medidas de prevenção e tratamento. Exemplos: Bacillus anthracis e vírus da imunodeficiência humana (HIV). O material biológico furtado pertencia ao laboratório do Instituto de Biologia e, após 40 dias desaparecido, foi recuperado pela PF na Faculdade de Engenharia de Alimentos. Entre eles, amostras dos vírus H1N1 e H3N2. 🔎Os vírus Influenza H1N1 e H3N2 são aqueles normalmente associados a gripe sazonal, que acomete humanos todos os anos, geralmente durante o inverno. Segundo professor José Luiz Modena, da Unicamp, eles são classificados como agentes nível 2 de biossegurança, já que conferem risco moderado/brando para os trabalhadores e ambiente. H1N1 e H3N2 estão entre vírus furtados em laboratório de virologia da Unicamp Cronologia do caso 13 de fevereiro: amostras de vírus somem do laboratório de virologia do Instituto de Biologia da Unicamp 23 de março: laboratórios da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp são interditados pela Polícia Federal para cumprimento de mandados de busca 23 de março: PF encontra parte do material desaparecido nos laboratórios interditados e a pesquisadora é presa em flagrante 24 de março: PF localiza o restante das amostras em outro laboratório do Instituto de Biologia. A suspeita não tinha autorização de acesso a nenhum dos locais onde as amostras estavam, mas conseguia entrar com a ajuda e consentimentos de outros pesquisadores. 24 de março: Justiça concede liberdade a Soledad e decisão menciona que amostras eram de vírus 25 de março: A Polícia Federal informa que o marido da pesquisadora, Michael Edward Miller, também é investigado por suspeita de envolvimento no furto de amostras. Infográfico mostra local de onde amostras de material biológico foram retiradas na Unicamp, e por quais crimes a professora Soledad Palameta Miller vai responder na Justiça Arte g1 Investigação e prisão de pesquisadora A investigação começou quando uma pesquisadora autorizada do Laboratório de Virologia do Instituto de Biologia notou, na manhã de 13 de fevereiro de 2026, o desaparecimento de caixas com amostras virais. No dia 23 de março, a PF cumpriu mandados em laboratórios da Faculdade de Engenharia de Alimentos. Todos os laboratórios da faculdade ficaram temporariamente interditados durante a ação. A Polícia Federal localizou as amostras espalhadas em três locais diferentes: Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA): foram encontradas diversas caixas com amostras dentro de tubetes em um freezer lacrado. Laboratório de Doenças Tropicais (Instituto de Biologia): foram localizados tubetes manipulados e abertos no espaço reservado a Soledad dentro do freezer de outra professora. Próximo ao refrigerador, havia material descartado que provavelmente já havia passado por autoclave. Laboratório de Cultura de Células (Instituto de Biologia): uma grande quantidade de frascos descartados foi localizada em uma lixeira. Laboratório de Virologia da Unicamp, unidade com nível de biossegurança 3, o mais alto disponível no Brasil, e de onde amostras biológicas foram furtadas e levadas por uma pesquisadora da Faculdade de Engenharia de Alimentos Estevão Mamédio/g1 A professora doutora Soledad Palameta Miller foi presa em flagrante nesta segunda-feira (23), depois que a Polícia Federal encontrou as amostras virais em laboratórios da universidade aos quais a professora conseguiu acesso com o consentimento de outros pesquisadores. A defesa da docente afirma que não há materialidade na acusação e que ela utilizava os laboratórios do Instituto de Biologia por não possuir estrutura própria. Furto de vírus na Unicamp: PF diz que também investiga marido de pesquisadora e descarta risco à população Arquivo pessoal A Polícia Federal (PF) informou nesta quarta-feira (25) que o marido da professora, Michael Edward Miller, também é investigado por suspeita de envolvimento no furto de amostras de vírus de um laboratório do Instituto de Biologia da Unicamp. Michael Miller é médico veterinário e faz doutorado em Genética e Biologia Molecular na universidade. A corporação não informou quais são as suspeitas sobre ele. O g1 tenta localizar a defesa dele. Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp Estevão Mamédio/g1 VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e região