Furto de vírus da Unicamp: câmera flagrou marido de pesquisadora saindo de laboratório com caixas, diz PF
2026-03-27 - 22:20
Soledad e Michael Miller são investigados em caso de furto de vírus na Unicamp. Arquivo pessoal Registros de uma câmera de segurança do laboratório da Unicamp apontam que os momentos em que Michael Edward Miller saiu do espaço com caixas coincidem com o desaparecimento das amostras, segundo a PF. Ele e a esposa, a pesquisadora Soledad Palemeta Miller, são investigados pelo furto do material biológico. As imagens não foram divulgadas até o momento desta publicação, mas o conteúdo delas foi relatado à PF pela Unicamp. Diante da aparição, a universidade indicou Michael como principal suspeito ao acionar a corporação. Ainda conforme a PF, não é possível afirmar qual era o conteúdo da caixa e as imagens vão passar por perícia, mas há indícios da participação dos dois no caso. "O detalhamento da investigação é que só é coincidente com o momento em que é percebido a ausência desse material, é subsequente. Então, ele é apontado como possível coautor no crime, mas isso ainda está sob investigação", disse André Almeida de Azevedo Ribeiro, delegado-chefe da Polícia Federal em Campinas (SP). Michael Miller é médico veterinário e faz doutorado em Genética e Biologia Molecular na Unicamp. O g1 tenta contato com a defesa dele. LEIA TAMBÉM Furto de vírus na Unicamp: H1N1 estava entre amostras levadas de laboratório Entenda em vídeo a distância percorrida por material biológico dentro da universidade Unicamp aciona Polícia Federal e interdita laboratórios após furto de material de pesquisa Professora da Unicamp investigada por furto de vírus estuda vacinas e doenças em animais Sociedade Brasileira de Virologia acompanha investigação e reforça confiança em protocolos de segurança científica Furto de vírus na Unicamp: entenda em vídeo distância percorrida por material biológico A pesquisadora Soledad Palameta Miller foi presa e responderá em liberdade pelo furto dos vírus, por colocar a saúde das pessoas em risco e pelo transporte sem autorização de material geneticamente modificado. Segundo o termo da audiência de Soledad, ao qual o g1 teve acesso, o material biológico furtado foi encontrado em diferentes laboratórios do Instituto de Biologia e da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp, além de ter sido armazenado e descartado fora dos locais originalmente autorizados, inclusive em lixeiras, após manipulação. O g1 esteve na Unicamp na tarde desta quarta-feira (25) e apurou que H1N1 e H3N2, causadores da gripe tipo A, além de outros vírus - humanos e suínos - estavam no conteúdo levado. Todas as amostras foram encaminhadas ao Ministério da Agricultura e Pecuária, que mantém em sigilo a informação sobre os tipos virais envolvidos no caso. A Polícia Federal afirmou que o casal ainda não foi ouvido na investigação, e que Soledad optou por ficar em silêncio ao ser presa. Segundo a PF, ela tem direito constitucional a isso. A corporação também nega que tenha havido contaminação externa, descarta a possibilidade de terrorismo biológico, garante que todas as amostras foram recuperadas e os vírus ficaram apenas dentro da universidade. O caso Câmeras registraram retirada de vírus de laboratório da Unicamp; veja cronologia do caso Estevão Mamédio/g1 | Reprodução/EPTV No dia 13 de fevereiro, uma pesquisadora da Unicamp percebeu que caixas com amostras de vírus sumiram do laboratório de virologia, de uma área com nível 3 de biossegurança (NB-3), o nível mais alto possível para se estudar agentes infecciosos (como vírus e bactérias) em laboratórios no Brasil atualmente. No dia 23 de março, depois que os laboratórios da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) foram interditados temporariamente, a Polícia Federal fez buscas e encontrou o material furtado em laboratórios aos quais Soledad não tinha autorização de acesso, mas conseguia entrar com ajuda e consentimento de outros pesquisadores: Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA): foram encontradas diversas caixas com amostras dentro de tubetes em um freezer lacrado. Laboratório de Doenças Tropicais (Instituto de Biologia): foram localizados tubetes manipulados e abertos no espaço reservado a Soledad dentro do freezer de outra professora. Próximo ao refrigerador, havia material descartado que provavelmente já havia passado por autoclave. Laboratório de Cultura de Células (Instituto de Biologia): uma grande quantidade de frascos descartados foi localizada dentro de uma lixeira. Enquanto as buscas eram feitas na Unicamp, outra equipe da PF foi até a casa de Soledad. Lá, os policiais foram informados por um familiar que a pesquisadora foi ao Centro Médico com o marido de carro, porque teria ficado nervosa com a investigação. A polícia encontrou o carro do casal no caminho e prendeu a mulher em flagrante. Soledad passou por audiência de custódia no dia seguinte, e a Justiça Federal decidiu conceder liberdade provisória à pesquisadora. Apesar de solta, a docente fica obrigada a comparecer mensalmente à 9a Vara Federal, pagar uma fiança no valor de dois salários-mínimos, e está proibida de deixar a cidade de Campinas por mais de cinco dias e de sair do país sem autorização prévia. Além disso, foi determinado que ela está proibida de acessar os laboratórios da Unicamp envolvidos na investigação. Infográfico mostra local de onde amostras de material biológico foram retiradas na Unicamp, e por quais crimes a professora Soledad Palameta Miller vai responder na Justiça Arte g1 VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas