Família de Marielle cobra punição exemplar e diz que julgamento no STF é resposta à democracia
2026-02-24 - 12:03
As famílias da vereadora Marielle Franco e do motorista dela, Anderson Gomes, chegaram ao Supremo Tribunal Federal (STF) na manhã desta terça-feira (24) para acompanhar o julgamento dos acusados de mandar matar as vítimas. O crime ocorreu em 2018. O assassinato completa oito anos em março, e esta é a primeira vez que os suspeitos de planejar e ordenar o ataque enfrentam julgamento na mais alta Corte. A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, irmã de Marielle, afirmou que o julgamento representa não apenas um passo para a família, mas também um marco para a democracia. “A resposta aqui é pra democracia, não é só pra nossa família, pra que fique exemplo de que nenhum crime pode ficar impune”, declarou. Após 8 anos, família de Marielle vive expectativa de julgamento dos mandantes no STF Ela também destacou que a investigação só avançou após mudanças institucionais. “A volta da democracia em 2022, a entrada da PF na investigação, ajudaram”, afirmou. A mãe de Marielle, Marinete Silva, afirmou que a família confia em uma decisão dura contra os réus e reforçou a necessidade de uma resposta das instituições. “A gente confia muito nessa punição. É preciso ter uma resposta positiva em relação aos mandantes dessa barbárie”, disse. Ela declarou ainda que a família seguirá na luta até o fim: “Esses homens jamais imaginavam que estariam um dia sendo julgados. Vamos seguir até o fim.” O pai da vereadora, Antônio Francisco, classificou a sessão como “primordial” e criticou a assimetria entre a falta de defesa das vítimas e o aparato jurídico disponível aos acusados. “Vai completar 8 anos do assassinato. Hoje vai ser um dia primordial para que esses indivíduos sejam julgados. Todos os cinco, nenhum deu chance de defesa para Marielle e Anderson. Mas estão hoje com banca de advogados para defendê-los. Confio no STF”, afirmou. A esposa de Anderson Gomes, Agatha Arnaus, lembrou o longo tempo de espera por respostas e defendeu que a responsabilização alcance também quem ordenou o crime. “Justiça não é um sentimento, é um processo. Oito anos é tempo demais pra quem espera por resposta. O Estado tem que alcançar também quem ordena crime”, disse. Anielle reforçou ainda que o assassinato expôs estruturas criminosas profundas no Estado. “O assassinato da minha irmã abriu a tampa do bueiro. Espero que as autoridades possam agir firmemente”, disse. Para a ministra, o caso elevou o debate nacional sobre segurança pública: “Não dá pra normalizar o crime. Esse país precisa pensar em segurança pública.” Luyara Santos, filha de Marielle, agradeceu o apoio recebido ao longo dos anos e afirmou esperar um desfecho favorável. “Queria agradecer a todos que fortalecem a nossa luta e que amanhã a gente saia com a vitória”, disse. Representantes de instituições como a Anistia Internacional acompanharam a chegada da família ao STF.