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Falta de médicos e problemas estruturais motivam ação do MP contra governo em MT

2026-03-23 - 20:30

Hospital Regional de Sorriso Reprodução O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) ingressou com uma ação contra o governo estadual após identificar uma série de falhas graves e persistentes no funcionamento do Hospital Regional de Sorriso, localizado a 420 km de Cuiabá, entre elas estão questões estruturais da unidade e a falta de profissionais de saúde. Na Ação Civil Pública, foi assinada pelo promotor de Justiça Márcio Florestan Berestinas no último dia 20, o MP destacou que as irregularidades encontradas não são pontuais nem decorrentes de episódios isolados, mas sim estruturais. O g1 entrou em contato com a Secretaria de Saúde, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem. A unidade é referência regional em atendimentos de urgência e emergência, traumatologia, gestações de alto risco e outros serviços de média e alta complexidade, atendendo pacientes de uma ampla região. Por isso, segundo o órgão, exige um padrão de organização administrativa e assistencial compatível com sua importância na rede pública de saúde. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MT no WhatsApp “Quanto maior o papel sistêmico da unidade, maior a gravidade jurídica e social das falhas estruturais que nela se instalam”, afirma um trecho da ação. Entre os principais problemas apontados está a falta de profissionais, embora o hospital tenha 143 leitos cadastrados, apenas 116 chegaram a funcionar em determinados períodos devido à insuficiência de pessoal. Segundo o MPMT, houve momentos em que até 28 leitos foram temporariamente fechados tanto por esse motivo como por causa de obras. Ainda conforme o MP, a redução afetou diretamente a realização de cirurgias eletivas, que precisaram ser diminuídas e, em alguns momentos, chegaram a ser suspensas. Em depoimento, o diretor técnico da unidade relatou um déficit de cerca de 140 funcionários, principalmente na área de enfermagem. A ação também apontou falhas na assistência obstétrica, pediátrica e neonatal, mesmo sendo referência para gestações de alto risco, o hospital chegou a ficar sem pediatra ou neonatologista disponíveis no setor para acompanhamento dos partos. Em determinados momentos, um único pediatra plantonista acumulava atendimentos de urgência e emergência, além da responsabilidade pela sala de parto e pelo alojamento conjunto. Apesar de nomeações recentes, o Ministério Público afirma que a recomposição da equipe foi apenas parcial e ainda insuficiente para garantir o funcionamento adequado do hospital. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Infraestrutura Problemas de infraestrutura também foram relatados por usuários, como falta de climatização adequada, ausência de água em alguns setores, banheiros em condições precárias, mau cheiro, infiltrações e risco de infecção hospitalar. Há ainda indícios de problemas estruturais mais graves, como rachaduras e necessidade de intervenções nas fundações, possivelmente causadas por movimentação do solo. Para o Ministério Público, as medidas adotadas até agora pelo estado, como contratações pontuais e reformas parciais, não foram suficientes para resolver os problemas. Ao final, o MPMT pediu que a Justiça determine ao Estado de Mato Grosso a apresentação de um Plano de Reestruturação com diagnóstico completo do quadro de pessoal, cronograma de recomposição de recursos humanos, reabertura dos leitos fechados, regularização definitiva da assistência obstétrica, pediátrica e neonatal e correção das deficiências físico-prediais e de infraestrutura. O promotor de Justiça também solicitou a realização de uma avaliação técnica estrutural independente do prédio, com estudo que avalie a viabilidade de continuidade das reformas ou a necessidade de construção de uma nova unidade hospitalar.

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