Falsos defensores públicos aplicam golpes e fazem 240 vítimas em 9 meses no RJ
2026-03-17 - 15:40
Falsos defensores públicos aplicam golpes e fazem 240 vítimas em 9 meses no RJ Golpistas estão se passando por defensores públicos do Estado do Rio de Janeiro para enganar pessoas que possuem processos na Justiça. Nos últimos nove meses, a Defensoria Pública recebeu mais de 240 denúncias de golpes. De acordo com a Defensoria Pública do Estado, eles entram em contato com as vítimas diretamente. Com isso, os criminosos obtêm dados bancários ou fazem cobranças indevidas. A pedagoga Cláudia Cristina do Carmo Carinhanha aguarda o desfecho de um processo judicial desde 2016. No dia 6 de março deste ano, ela recebeu uma mensagem por aplicativo que parecia oficial. A foto de perfil era da Defensoria Pública do Rio, e o texto trazia seu nome completo e número do processo. A promessa era de que teria R$ 40 mil a receber, mas havia uma condição: participar de uma reunião on-line com um suposto defensor público. “Nessa reunião, ele fala que eu tenho um processo, fala o número do processo, e o valor, fala do que se trata o processo e o valor que eu tenho a receber, que a causa já é ganha. São pessoas muito bem falantes e muito inteligentes”, relatou Cláudia. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça A pedagoga Cláudia Cristina foi vítima de um golpe no RJ Reprodução/TV Globo Durante a videochamada, o criminoso enviou um link falso da Receita Federal para que ela comprovasse renda. Ao clicar, Cláudia deu acesso total ao celular. Em poucos minutos, os golpistas realizaram duas transferências via Pix, retirando mais de R$ 10 mil. O dinheiro era guardado por Cláudia para cuidar da mãe, que tem Alzheimer. "É devastador. No primeiro momento, você se sente impotente. Eu tenho uma pessoa totalmente dependente de mim e estava juntando para dar um conforto melhor pra ela. Esse dinheiro faz muita falta porque hoje eu estou desamparada de tudo”, disse. Cláudia registrou ocorrência na 22a DP (Penha). Casos semelhantes vêm acontecendo em várias cidades do estado. Segundo a defensora pública Luiza Amintrompiere, a prática é recorrente: “Semanalmente nós temos costumado receber de quatro a cinco denúncias de golpes. É uma quadrilha, a gente não tem dúvidas disso. Infelizmente, eles têm acesso às imagens pelo portal dos tribunais porque os processos são públicos. Eles conseguem puxar a petição inicial, o nome do defensor, e é daí que se aproveitam", comentou a defensora. Golpista envia mensagem para vítima se passando por defensor público Reprodução/TV Globo Outra vítima desconfiou A secretária Rakel Soares de Lima também recebeu mensagens da quadrilha com dados do processo de inventário da mãe, mas percebeu inconsistências no que recebeu: “Primeiro foi o número do telefone, porque o meu processo é aqui do Rio, então não fez sentido ter o DDD 22. Depois, o documento estava assinado no dia 7 de janeiro de 2024, um dia antes da minha mãe falecer", disse Rakel. Especialistas alertam que, ao perceber o golpe, é essencial agir rápido. “Para golpes do Pix, hoje existe um mecanismo especial de devolução, chamado MED, que deve ser acionado assim que a vítima percebe que caiu num golpe. Se todas as vítimas reclamarem com celeridade junto aos bancos e lavrarem boletim de ocorrência, conseguimos que o poder estatal investigue e que os bancos façam os bloqueios necessários.”, explicou o advogado de Direito Digital Luiz Augusto D’Urso. Mensangem no site da Defensoria Pública alerta sobre golpes Reprodução/TV Globo A Defensoria Pública reforça que todos os serviços oferecidos são gratuitos e que não há qualquer tipo de cobrança para atendimento, orientação jurídica ou atuação em processos. Além disso, o órgão alerta que não realiza reuniões por videochamada: “Nosso atendimento é presencial ou por meio do nosso aplicativo ou, no máximo, por e-mail. Então, qualquer coisa que fuja desse padrão, tenha em mente: pode ser golpe." A Polícia Civil disse que está investigando o golpe contra Cláudia e pediu que outras vítimas registrem as ocorrências para que os casos sejam apurados e os autores identificados.