EUA e Irã retomam negociações nucleares; Trump diz que terá envolvimento nas tratativas, e Teerã fala em manter exigências realistas
2026-02-17 - 10:15
Ali Khamenei e Donald Trump Gabinete do Líder Supremo do Irã via AP; AP Photo/Evan Vucci Os Estados Unidos e o Irã retomaram as negociações nucleares em Genebra, na Suíça, nesta terça-feira (17). O encontro, mediado pelo Omã, começou por volta das 6h no horário de Brasília. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Os EUA e o Irã estão em negociações para limitar o programa nuclear iraniano em meio a uma escalada de tensões e militar protagonizada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, que ameaça atacar o país do Oriente Médio caso as negociações fracassem. (Leia mais abaixo) Do lado norte-americano, o enviado especial Steve Witkoff e o genro de Trump, Jared Kushner, participarão das negociações, segundo a agência de notícias Reuters. Do lado iraniano, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi. Uma autoridade iraniana de alto escalão afirmou à Reuters que a chave para o sucesso das negociações será "a seriedade dos EUA em suspender as sanções e evitar exigências fora da realidade". Ao mesmo tempo, a autoridade disse que o Irã chega para as conversas com propostas "genuínas e construtivas". O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na segunda-feira que estaria envolvido “indiretamente” nas conversas em Genebra e que acredita que Teerã quer fechar um acordo. “Não acho que eles queiram as consequências de não fechar um acordo”, disse Trump a repórteres a bordo do Air Force One na segunda-feira. “Poderíamos ter tido um acordo em vez de enviar os B-2 para destruir o potencial nuclear deles. E tivemos que enviar os B-2.” Negociações nucleares A primeira rodada de negociações entre os EUA e do Irã ocorreu no Omã no dia 6 de fevereiro. O chanceler iraniano, Abbas Araqchi, disse que o encontro teve uma "atmosfera muito positiva". Agora, negociadores dos dois países se reúnem novamente nesta terça-feira. Veja os vídeos que estão em alta no g1 No entanto, as negociações são tratadas com cautela porque EUA e Irã ainda têm grandes diferenças entre eles: enquanto Washington exige de Teerã extinguir os programas nuclear e de mísseis e parar de apoiar grupos armados da região, o regime Khamenei afirma que negociará apenas seu programa nuclear. A principal autoridade nuclear iraniana afirmou nesta semana que o país está disposto a diluir seu estoque de urânio enriquecido em troca do fim das sanções impostas ao país. Segundo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o Irã tem cerca de 440 kg de urânio enriquecido a 60%, perto do nível de uma bomba nuclear. O presidente iraniano, Masud Pezeshkian, disse na semana passada que o país está disposto a "inspeções" da AIEA para mostrar que seu programa nuclear é pacífico, mas afirmou que não cederá a "exigências excessivas" dos EUA. O presidente dos EUA, Donald Trump, alterna entre indicar esperança por um acordo nuclear e ameaças diretas ao regime Khamenei. Na semana passada, Trump ameaçou tomar "medidas muito duras" contra o Irã caso as negociações fracassem e enviou o maior porta-aviões do mundo, o USS Gerald Ford, para reforçar o cerco militar ao país do Oriente Médio —que já tem o grupo de ataque do USS Abraham Lincoln posicionado na região.