Estudantes denunciam agressões de seguranças do vereador Lucas Pavanato na USP; parlamentar fala em 'legítima defesa'
2026-03-04 - 23:33
Estudantes denunciam agressões de seguranças do vereador Lucas Pavanato na USP Uma confusão envolvendo estudantes da Universidade de São Paulo (USP) e a equipe de segurança do vereador Lucas Pavanato (PL) terminou com agressões físicas, feridos e registro de boletim de ocorrência na manhã desta quarta-feira (4), na Cidade Universitária, na Zona Oeste da capital. O caso foi registrado como "vias de fato" e "agressões mútuas", sem prisões. De acordo com nota divulgada pelo Centro Acadêmico de Letras da USP, o vereador esteve no campus acompanhado por apoiadores e seguranças privados e montou uma tenda com placa em um dos caminhos de acesso ao bandejão central. Segundo a nota, a área é de grande circulação de alunos, próxima ao prédio da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Ainda segundo os estudantes, durante a ação, o vereador teria insultado alunos e afirmado que estava “desafiando o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP”, dizendo que “nenhum estudante conseguiria debater com ele”. Ao g1, o vereador afirmou que estava promovendo um debate sobre seus projetos, comparando a ação a iniciativas do ativista conservador Charlie Kirk, assassinado em setembro do ano passado, em universidades dos Estados Unidos. O aluno de letras Francisco Napolitano afirmou que foi empurrado diversas vezes e atingido por dois golpes na cabeça. Divulgação/Coletivo Rebeldia Em nota, ele afirmou que nenhum segurança agrediu estudantes e que todos teriam agido em legítima defesa. Segundo ele, a vereadora Eduarda Campopiano (PL), que o acompanhava, levou um soco na boca de um estudante da USP (leia mais abaixo). Após as falas, alunos que circulavam pelo local passaram a se concentrar em frente à tenda. Cerca de uma hora depois, quando o número de estudantes aumentou, seguranças que acompanhavam o vereador avançaram para bloquear a passagem e, segundo os relatos, iniciaram agressões físicas, com empurrões e ataques a manifestantes, segundo a nota do centro acadêmico. Durante a confusão, Pavanato teria sido retirado do local e colocado em um carro, enquanto os seguranças formavam um cordão de isolamento, segundo a nota. Mesmo com o vereador já dentro do veículo, as agressões continuaram, de acordo com os estudantes. O aluno de letras Francisco Napolitano, diretor do DCE da USP e integrante do Coletivo Rebeldia, afirmou que foi empurrado diversas vezes e atingido por dois golpes na cabeça — um no olho e outro na boca — o que causou hematomas, corte e sangramento. Ele também relatou ter sido afetado por spray de pimenta lançado por um dos seguranças ao tentar ajudar outros colegas. Outros estudantes também ficaram feridos. Um deles foi atingido na perna do outro lado da rua, segundo testemunhas. Os estudantes afirmam ainda que um dos seguranças envolvidos seria o mesmo que já havia sido detido anteriormente dentro da USP após sacar uma arma e ameaçar alunos em um episódio semelhante. Segundo Pavanato, a vereadora Eduarda Campopiano (PL), que o acompanhava, levou um soco na boca de um estudante da USP. Reprodução Após a confusão, parte dos estudantes seguiu o chefe da equipe de segurança até uma base da Polícia Militar. Segundo os relatos, policiais afirmaram que não tomariam providências naquele momento, alegando versões diferentes sobre o ocorrido. Os alunos feridos registraram boletim de ocorrência denunciando as agressões cometidas pelos seguranças dentro do campus da USP. Testemunhas dizem que a presença do grupo teve caráter de provocação política e que a violência partiu da equipe de segurança do vereador. Em nota, a USP afirmou que repudia qualquer tipo de violência que "imponha restrições ao exercício desta liberdade de opinião dentro dos limites da convivência republicana" (leia mais abaixo). O que diz a SSP Em nota, a Secretaria da Segurança Pública informou que o caso foi registrado como vias de fato no 93o Distrito Policial (Jaguaré). Segundo a pasta, houve uma briga generalizada entre estudantes e um vereador, com agressões mútuas. Dois alunos ficaram feridos e passarão por exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML). Ninguém foi detido. De acordo com informações da polícia, consta que o vereador teria instalado uma tenda e caixas de som na Praça do Relógio, quando teve início o tumulto envolvendo estudantes e a escolta. Quatro estudantes compareceram ao DP para registrar a ocorrência. O vereador e os seguranças não foram ao distrito policial. O que diz Lucas Pavanato Procurado, Lucas Pavanato afirmou, em nota, que nenhum segurança agrediu estudantes e que todos teriam agido em legítima defesa. Segundo ele, a vereadora Eduarda Campopiano (PL), que o acompanhava, levou um soco na boca de um estudante da USP. Questionado sobre o afastamento de algum segurança, Pavanato disse que, ao contrário, “premiaria” a equipe e afirmou que “quem deve ser afastado da universidade é o vagabundo que agrediu uma mulher”. O que diz a USP "Na Universidade de São Paulo consideramos que a liberdade de expressão e a pluralidade de ideias são princípios basilares da vida acadêmica. A Universidade é, por excelência, o espaço do debate plural, do questionamento crítico, da convivência entre diferentes perspectivas e visões de mundo. A Universidade é um ambiente em que diferentes opiniões têm o direito de se expressar, resguardados, obviamente, os princípios da convivência democrática mutuamente respeitosa. A USP repudia qualquer tipo de violência que imponha restrições ao exercício desta liberdade de opinião dentro dos limites da convivência republicana. Tivemos a informação de que um aluno foi atendido no Hospital Universitário, mas já foi liberado."