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Estrutura para produzir próteses cranianas até 10 vezes mais baratas para o SUS busca parceria para sair do papel

2026-03-23 - 10:20

Construção de unidade de cranioplastia em área do Centro de Tecnologia da Informação (CTI) Renato Archer, em Campinas (SP), está paralisada Arquivo pessoal A construção de uma unidade para abrigar uma estrutura dedicada à produção de próteses cranianas personalizadas, que promete oferecer ao Sistema Único de Saúde (SUS) produtos cerca de 10 vezes mais baratos que os importados atualmente, disponíveis no mercado, enfrenta desafios para sair do papel. Embora o projeto que reúne a Fiocruz e o Centro de Tecnologia da Informação (CTI) Renato Archer, em Campinas (SP), já conte com recursos empenhados - parte dos quais já foi destinado à aquisição de equipamentos -, a execução da obra civil enfrenta entraves que poderiam ser superados por meio de uma parceria com o setor privado. “O projeto aprovado pelo Ministério da Saúde contempla um investimento de R$ 38 milhões destinados à aquisição de equipamentos e à formação de pessoal técnico e médico especializado. Nesse valor, no entanto, não está o recurso necessário para as obras civis", explica o pesquisador Renato Rozental. Para o governo federal, a instalação da unidade é "estratégica e relevante". Segundo o Ministério de Ciência e Tecnologia (MCTI), estão em andamento as análises técnicas e administrativas para identificar alternativas de apoio - leia mais abaixo. Na tentativa de avançar na estruturação da unidade dedicada integralmente à produção de próteses cranianas, que depende de um prédio próprio para obter certificação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e, assim, atender ao SUS, Rozental ressalta que a participação de parceiros do setor privado é essencial. O pesquisador estima a necessidade de R$ 10 milhões para a construção de uma estrutura de 900 m2, que poderia ser concluída em até 12 meses. 📲 Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp Após a conclusão da obra civil, seriam realizadas a instalação dos equipamentos e a aprovação pelo órgão sanitário, em um prazo adicional de até dois anos. Somente após essas etapas será possível atender, de forma efetiva, à demanda da população. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Demanda é de 4 mil próteses cranianas por ano Segundo Rozental, há uma demanda de até 4 mil próteses cranianas de adultos por ano no Brasil, número que cresce principalmente pelo aumento da violência urbana e dos acidentes de trânsito. “O setor privado reúne agilidade, competência e grande capacidade operacional. A proposta é, justamente, estabelecer uma parceria estruturada entre os diferentes entes, como a Fiocruz, o CTI e uma instituição privada, para viabilizar a implementação dessa estrutura aqui", diz o pesquisador. De R$ 200 mil para até R$ 25 mil Segundo Rozental, que é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisador da Fiocruz, cada prótese craniana de titânio adquirida no mercado nacional pode custar até R$ 200 mil, valor que não inclui os parafusos ortopédicos. O pesquisador explica que os valores praticados variam conforme o serviço e o estado. A expectativa é que o produto elaborado dentro do complexo no CTI Renato Archer custe cerca de R$ 25 mil, incluindo os parafusos ortopédicos. Para isso, no entanto, é preciso avançar com a construção da estrutura necessária. “Nós contamos com um apoio significativo, mas apoio, por si só, não é suficiente. Muitas vezes, estamos engessados pela própria burocracia do país, que limita a agilidade dos processos. Nesse contexto, o setor privado pode desempenhar um papel fundamental”, defende o pesquisador. Rozental reforça que a equipe está empenhada em estruturar uma prova de conceito. “Uma vez consolidada essa etapa, avançaremos para a implementação de uma unidade produtiva no local que oferecer o suporte necessário, com o objetivo de disponibilizar o serviço para toda a população brasileira, tanto para os usuários do SUS quanto para a classe média, que também se encontra pressionada neste momento tão delicado", completa Rozental. O que diz o governo federal? Em nota, o Ministério de Ciência e Tecnologia (MCTI) afirma que a implantação da unidade é uma "ação estratégica e relevante". "O MCTI e o CTI Renato Archer estão empenhados em buscar soluções para viabilizar o avanço da obra civil necessária ao projeto. Nesse sentido, estão em andamento análises técnicas e administrativas para identificar alternativas de apoio, seja por instrumentos próprios ou em articulação com outros órgãos envolvidos". "Também estão sendo avaliadas possibilidades de parcerias, inclusive com a iniciativa privada, sempre em conformidade com a legislação vigente e o interesse público. Seguimos acompanhando o tema e atuando para construir encaminhamentos que permitam a concretização do projeto", completou. Renato Rozental e Juliana Daguano (à dir.) assinam memorando de intenções para o projeto da Fiocruz e CTI Renato Archer, em Campinas (SP) CTI Renato Archer/Divulgação Expertise O CTI Renato Archer, onde a unidade pode ser construída, é referência na área de impressões 3D. Foi em Campinas que foi desenvolvido, por exemplo, um biomodelo de gêmeas siamesas antes da operação de separação, para auxiliar no procedimento cirúrgico. Ao todo, o centro em Campinas já realizou cerca de 7 mil atendimentos, sendo as maiores aplicações de moldes e impressões usadas em cirurgias craniofaciais. LEIA TAMBÉM Cristo impresso em Campinas é do tamanho de um grão de areia e 410 mil vezes menor que estátua do RS Parque de inovação inaugurado em Campinas receberá startups que desafiam problemas complexos; foco será na saúde Saiba como é feito biomodelo 3D para auxiliar cirurgia de separação de crianças siamesas Saiba como é feito biomodelo 3D para auxiliar cirurgia de separação de crianças siamesas VÍDEOS: saiba tudo sobre Campinas e Região Veja mais notícias da região no g1 Campinas

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