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'Espetáculo político', diz João Campos sobre CPI para investigar mudança em resultado de concurso; presidente arquivou pedido de vereadores

2026-03-03 - 18:43

'Espetáculo político', diz João Campos sobre CPI para investigar mudança em concurso O prefeito do Recife, João Campos (PSB), classificou com "espetáculo político" o pedido de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), assinado por um terço dos vereadores, para investigar a alteração do resultado de um concurso público no município. A mudança beneficiou o filho de um juiz que arquivou uma operação que investigava suspeitas de corrupção na prefeitura. O pedido de abertura da CPI foi assinado por 13 dos 37 vereadores e, horas depois, foi arquivado pelo presidente da Câmara Municipal, Romerinho Jatobá (PSB). A CPI iria apurar denúncias de tráfico de influência e nepotismo na mudança do resultado do concurso público (entenda mais abaixo). ✅ Receba as notícias do g1 PE no WhatsApp João Campos também já foi alvo de um pedido de impeachment pelo mesmo caso, mas o processo foi votado e rejeitado em Plenário por 25 dos 37 parlamentares. A CPI, por sua vez, foi arquivada por decisão do presidente da casa, que considerou que não havia "fato determinado" a ser investigado. Sobre a CPI, o prefeito do Recife afirmou que a alteração do resultado do concurso, que foi revogada por ele após a repercussão do caso, foi algo "absolutamente superado de forma administrativa". "O que tenta se fazer é um espetáculo político e as medidas técnicas foram tomadas, inclusive a Câmara já se posicionou sobre isso. O presidente, de forma técnica, encaminhou para o arquivamento, para não fazer com que seja um palco de espetáculo político, tendo em vista que é um ano eleitoral e que tem muita gente que deseja aparecer no ano eleitoral", afirmou o gestor. Autor do pedido de abertura da CPI, o vereador Thiago Medina (PL) recorreu do arquivamento. Conforme o Regimento Interno da Câmara, os vereadores que assinaram o requerimento podem recorrer ao Plenário no prazo de cinco reuniões ordinárias, após parecer da Comissão de Legislação e Justiça. Prefeito do Recife, João Campos (PSB) Reprodução/TV Globo Ao arquivar o pedido, Romerinho Jatobá reconheceu que foram cumpridos os requisitos formais de número mínimo de assinaturas e de prazo certo, e que não há outras CPIs em funcionamento na casa — algo que seria impedimento para a abertura da comissão. Entretanto, ele afirmou haver “obstáculo insuperável à instauração da CPI: a ausência de fato determinado”. Para ele, esse requisito não foi atendido porque a nomeação questionada foi revogada por João Campos no dia 30 de dezembro de 2025. O presidente da Câmara também sustentou que não há responsabilidade do prefeito, nem do procurador-geral, a ser apurada. A 13a assinatura no requerimento foi do vereador Osmar Ricardo (PT). Ele era suplente e estava na casa no lugar de Marco Aurélio Filho (PV), que ocupava o cargo de secretário de Direitos Humanos e Juventude do Recife. Horas após a última assinatura ser obtida, João Campos exonerou Marco Aurélio do cargo para que ele reassumisse como vereador, levando Osmar Ricardo de volta à suplência. Quem assume a secretaria é Diogo Stanley, que era secretário executivo na pasta. O caso Conforme a denúncia que motivou o pedido de CPI, o advogado Marko Venício dos Santos Batista, aprovado nas vagas para pessoas com deficiência (PCD), deixou de ser nomeado e, no lugar dele, foi convocada outra pessoa, Lucas Vieira da Silva, que tinha ficado em 63o lugar nas vagas de ampla concorrência. O candidato beneficiado é filho de uma procuradora do Ministério Público de Contas e do juiz Rildo Vieira da Silva, da Vara dos Crimes Contra a Administração Pública e a Ordem Tributária do Recife. O magistrado arquivou um processo envolvendo a prefeitura por suspeita de corrupção. A reclassificação ocorreu dois anos após a homologação do resultado do certame, após Lucas Vieira apresentar laudo de autismo e pedir para ser inscrito nas vagas PCD. Três procuradoras concursadas opinaram pelo indeferimento do pedido, considerando que a medida violaria normas do edital. Mesmo assim, o procurador-geral do município, Pedro Pontes, que foi nomeado por João Campos, determinou a reclassificação, beneficiando o filho do juiz. Após a repercussão do caso, o prefeito voltou atrás e nomeou o advogado com deficiência que foi inicialmente aprovado. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias

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