Entre iranianos contrários ao regime, bandeira anterior à Revolução Iraniana se torna símbolo de luta e protestos
2026-03-02 - 13:33
Fantástico mostra a repercussão do ataque ao Irã no Canadá, que tem uma grande comunidade iraniana No Bairro de Pequena Teerã (ou Teeronto), com forte presença da comunidade iraniana em Toronto, no Canadá, uma bandeira diferente da oficial do país chama atenção. É o antigo estandarte nacional, usado antes da Revolução de 1979, sem o emblema religioso adotado após a criação da República Islâmica. O símbolo tem sido resgatado por iranianos que vivem no exterior e que se opõem ao governo atual. Toronto, no Canadá, tem a segunda maior comunidade iraniana fora do Irã, perdendo apenas para os iranianos que vivem em Los Angeles. Para muitos, a bandeira antiga representa uma identidade nacional separada do regime e se transformou em marca de protestos, homenagens e atos públicos. “Quero que os brasileiros saibam que essa é a nossa verdadeira bandeira”, diz o engenheiro Said Valehi. Parte dos opositores defende a volta da monarquia deposta na revolução, liderada pelo filho do xá Reza Pahlavi, enquanto outros apenas pedem mudanças políticas profundas. Sejam os mais antigos que tem saudade do chá Reza Pahlavi, um ditador deposto em 1979, ou os jovens que nem viveram a monarquia, a comunidade iraniana de Toronto tem um perfil definido: é contra a República Islâmica Bandeira anterior ao regime dos aiatolás não tem a palavra Alá escrita. Reprodução/TV Globo/Fantástico A comunidade local reúne tanto exilados mais antigos, que deixaram o Irã após a queda da monarquia, quanto jovens que já nasceram sob o regime atual. Apesar das diferenças geracionais, o grupo compartilha críticas ao sistema político e às restrições impostas à população. No início de fevereiro, manifestações reuniram centenas de pessoas em apoio a opositores mortos durante protestos recentes no país. Em outro ato simbólico, participantes correram pelas ruas sob temperaturas abaixo de zero para homenagear atletas que, segundo ativistas, foram assassinados. “Essa é a minha bandeira, é o meu amor”, afirmou Hadi Rastakhi, que participou de uma manifestação feita como uma corrida enrolado no antigo estandarte. Entre os recém-chegados está Adelle Tafazzoli, que se mudou há dois anos. Ela diz que a decisão de emigrar foi motivada, principalmente, pelas regras impostas às mulheres. “Eu amo meu país, mas por causa desse governo e do que fazem com as mulheres, decidi vir para um lugar livre”, contou. A amiga Sarah Alisha conta que as filhas eram obrigadas a usar véu na escola e tinham aulas religiosas obrigatórias, algo com que não concordava. O uso da antiga bandeira, cada vez mais frequente em atos da diáspora, reflete um sentimento que ultrapassa a nostalgia: o gesto funciona como protesto político e como tentativa de projetar um futuro diferente para o país. Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo. PRAZER, RENATA O podcast 'Prazer, Renata' está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts. Siga, assine e curta o 'Prazer, Renata' na sua plataforma preferida.