Endometriose: dor intensa não é normal e pode indicar doença crônica
2026-03-19 - 14:20
Ginecologista alerta para o fato de mulheres não normalizarem a dor. Banco de Imagens Dor forte durante a menstruação, desconforto nas relações sexuais, alterações intestinais e até dificuldade para engravidar podem ser sinais de endometriose, uma doença crônica que ainda enfrenta atraso no diagnóstico e impacta diretamente a qualidade de vida feminina. Segundo a ginecologista do Grupo Med Imagem, Bruna Petri Lages (CRM 9580 / RQE 4812), a endometriose ocorre quando células do endométrio, tecido que deveria estar apenas dentro do útero, passam a crescer fora dele. “Conceitualmente, é quando células do endométrio começam a crescer fora do útero, em outras regiões da cavidade pélvica ou abdominal. A gente já sabe que é uma doença inflamatória sistêmica, que afeta diversos órgãos e sistemas”, explica. A dor é o principal sinal de alerta. A especialista descreve a condição como a doença dos “cinco Ds”: dor na relação sexual, dor ao menstruar, dor pélvica crônica, dor ao urinar e dor ao evacuar. Outros sintomas incluem inchaço abdominal, alterações emocionais e irritabilidade. De acordo com a dra. Bruna Petri, apesar dos sinais, muitas mulheres convivem anos sem diagnóstico porque aprenderam a entender que sentir dor é normal, comportamento que atrasa muito o diagnóstico. Conforme a especialista, o tempo médio para confirmação da doença pode chegar a sete anos, principalmente pela normalização da cólica intensa. A endometriose também pode estar associada à infertilidade. “Muitas mulheres só investigam quando tentam engravidar e não conseguem, porque foram normalizando a dor ao longo da vida”, diz a médica. Além dos impactos físicos, a doença também interfere na saúde emocional. “A endometriose piora o estresse porque causa mais dor, e o estresse também piora o quadro por causa do perfil inflamatório”, destaca. Tratamento para a endometriose De acordo com a ginecologista, não há cura definitiva para a endometriose, mas controle. O cuidado começa de forma clínica e pode incluir cirurgia em casos específicos. “O tratamento cirúrgico busca retirar focos da doença e melhorar a qualidade de vida e a fertilidade da paciente”, explicou, ressaltando que a abordagem é individualizada. O diagnóstico é feito principalmente por exames de imagem, como ultrassom com preparo intestinal e ressonância magnética, que ajudam a identificar os focos da doença. A especialista reforça ainda a importância do apoio familiar e dos parceiros. “A primeira coisa é não normalizar nem minimizar a dor da mulher. O tratamento é multiprofissional e o apoio melhora muito os resultados”, coloca. Para a ginecologista, ampliar o debate é essencial para reduzir o sofrimento silencioso de muitas pacientes. “Quanto mais a gente fala sobre endometriose, mais mulheres conseguem entender que sentir dor não é normal e procurar ajuda”, conclui.