Em missão ao Brasil, assessores do governo dos EUA consultaram autoridades sobre riscos da atuação e expansão do PCC
2026-03-11 - 14:23
O Departamento de Estado Americano enviou assessores diretos do secretário de estado dos EUA, Marco Rubio, nos últimos meses ao Brasil para consultar investigadores e autoridades brasileiras que atuam no combate ao crime organizado e ao Primeiro Comando da Capital (PCC). No ano passado, representantes norte-americanos estiveram em Brasília (DF) e São Paulo (SP) para obter informações detalhadas sobre a ameaça do PCC e os impactos da facção não só para o Brasil, mas também internacionalmente. 📱 Acesse o canal da Sadi no WhatsApp O blog apurou que assessores especiais do governo dos EUA se reuniram pelo menos duas vezes com o promotor de justiça do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MP-SP) Lincoln Gakiya, um dos principais investigadores de PCC do Brasil e considerado referência internacional. O promotor Lincoln Gakiya falou nesta terça-feira (25) à CPI do Crime Organizado, no Congresso Edilson Rodrigues/Agência Senado Nesta semana, Gakiya volta a se reunir com representantes do governo dos EUA para compartilhar informações sobre o crime organizado e a atuação do PCC. A conversa deve alinhar o que estará em pauta em um encontro do promotor com a DEA (Drug Enforcement Administration), FBI (Federal Bureau of Investigation) e Departamento de Estado dos EUA em Boston, no estado de Massachusetts, ainda neste mês. Um levantamento obtido em primeira mão pela GloboNews e pelo g1 mostrou que o PCC se instalou em aos menos 28 países e se infiltrou em presídios no exterior para recrutar novos membros e expandir negócios com tráfico de drogas e armas, além da lavagem de dinheiro. No total, são 2.078 integrantes, a maioria dentro de prisões. Veja os vídeos que estão em alta no g1 O relatório do Ministério Público de São Paulo tem sido apresentado a embaixadas e consulados fora do país para cooperação internacional no combate a crimes transnacionais em pelo menos quatro continentes. Além da expansão para diferentes territórios, o que tem chamado a atenção das autoridades e investigadores brasileiros e também estrangeiros é o fato de os integrantes do PCC terem buscados outros países não só para viagens temporárias, mas também como moradia fixa e infiltração em cadeias, uma espécie de "marca registrada" da facção criminosa paulista. EUA discutem classificar PCC e CV como terroristas O governo brasileiro tenta frear a discussão em curso nos Estados Unidos para classificar as facções Comando Vermelho e o Primeiro PCC como organizações terroristas, pelo menos, até a conversa presencial entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, em Washington. Segundo fontes da diplomacia, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, pediu por telefone ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que não encaminhe ao Parlamento dos EUA a decisão de classificar PCC e CV como grupos terroristas. A solicitação foi feita porque, se Rubio fizer isso, o Congresso norte-americano tem um prazo de sete dias para fazer a análise. Lincoln Gakiya entende que o PCC e o Comando Vermelho não se tratam de organizações terroristas e que se tratam de organizações criminosas transnacionais, com características até de máfia. O chanceler pediu que Rubio aguarde o encontro entre Lula e Trump, já que o governo brasileiro quer mostrar, na reunião, como tem atuado no combate ao crime organizado no país. Lula pretende fazer uma visita oficial à Casa Branca, para se reunir com o presidente Donald Trump. A ideia inicial era que o encontro ocorresse neste mês de março, mas diante da dificuldade de agendas, uma data ainda não foi acertada.