Em depoimento à PF, diretor do BC diz que BRB deveria ter identificado problemas nos créditos do Master
2026-01-29 - 23:15
Em depoimento à Polícia Federal, o diretor do Banco Central Ailton Aquino afirmou que a governança do Banco de Brasília (BRB) deveria ter sido capaz de identificar problemas nos créditos adquiridos do Banco Master. Segundo Aquino, seria possível verificar se os créditos efetivamente existiam a partir da aplicação de técnicas adequadas de análise. Para ele, houve falha na governança do banco público. “Tenho certeza que a governança do BRB deveria ter identificado. Não tenho dúvida disso. Aplicando-se técnicas é possível identificação da existência ou não dos créditos. Falha na governança do BRB”, afirmou. De acordo com o diretor, a área de supervisão do Banco Central questionou o BRB diversas vezes sobre a geração dos créditos adquiridos do Banco Master, por meio de ofícios formais. “O time da supervisão inquiriu muito o BRB em vários ofícios, acerca da geração dos créditos”, disse. O depoimento ocorre no contexto das investigações da Polícia Federal sobre operações envolvendo o Banco Master e o BRB. No fim de dezembro, o empresário Daniel Vorcaro, dono do Master, e o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, prestaram acareação à PF e apresentaram versões divergentes sobre a origem das carteiras de crédito vendidas ao banco público. Os vídeos da acareação foram divulgados nesta quinta-feira (29) pelo portal “Poder360” e, posteriormente, tornados públicos pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, relator do caso. Na acareação, Vorcaro afirmou que informou ao BRB que as carteiras seriam originadas por terceiros, e não pelo próprio Master, e disse não ter conhecimento, à época, de que os papéis vendidos eram da empresa Tirreno. Paulo Henrique Costa, por sua vez, afirmou que a informação recebida pelo BRB era de que os créditos haviam sido originalmente originados pelo Master. A Polícia Federal apura se houve omissão dos gestores do BRB e falhas nos métodos de prudência e governança na aquisição de carteiras que chegaram a representar cerca de 30% dos ativos do banco público. Segundo a investigação, o Master teria adquirido créditos da empresa Tirreno sem realizar pagamento e, posteriormente, revendido esses ativos ao BRB por cerca de R$ 12 bilhões.