Em carta, Presidência da COP30 defende aceleração de decisões climáticas e admite resultado 'aquém do esperado'
2026-01-27 - 15:10
Na 12a carta da Presidência da COP30, divulgada nesta terça-feira (27), o embaixador André Corrêa do Lago defendeu a aceleração de decisões climáticas e a evolução do multilateralismo diante do avanço do aquecimento global. No documento, Lago mencionou que o mundo pode ultrapassar o limite de 1,5 oC de aquecimento global — referência central do Acordo de Paris — ainda nesta década. Apesar dos avanços, a Presidência da COP30 reconhece que os resultados ficaram "aquém do esperado" por cientistas e por comunidades já afetadas pelos impactos da mudança do clima. No documento, o presidente da COP30 citou também determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para que o governo brasileiro elabore diretrizes para uma transição energética justa e planejada. A determinação foi feita no fim do ano passado, após a realização da COP30, e envolve os ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e de Minas e Energia (MME). O prazo para os ministérios apresentarem o plano, termina no próximo mês, fevereiro. Em conversa com jornalistas nesta terça-feira (27), Corrêa do Lago afirmou estar consciente que muitos vão julgar o resultado da COP30 com base no mapa do caminho. "Estamos conscientes do mapa do caminho, muitos vão julgar a COP30 com o mapa do caminho, apesar de ser uma proposta da Presidência, estamos trabalhando, falando com interlocutores que queremos envolver, alguns países ofereceram apoio, e nós queremos que o roadmap seja também um documento que reúna a maior inteligência sobre o tema além de ser também apresentarmos uma proposta de roadmap." Esclareceu Hoje, há duas frentes distintas de planejamento. A primeira é a diretriz nacional determinada pelo presidente Lula, voltada à elaboração de orientações para uma transição energética justa no Brasil. A segunda, é o conjunto de roadmaps que o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, deve desenvolver e apresentar à comunidade internacional, com foco na implementação das decisões globais sobre clima. "Sob minha responsabilidade, esses roadmaps são concebidos como plataformas políticas e técnicas para mobilizar países e atores não estatais no avanço do planejamento nacional e internacional para implementar os parágrafos 28, 33 e 34 do Balanço Global (GST). Convido todas as partes interessadas, especialistas, produtores, empresas estatais e privadas, consumidores, seguradoras, instituições financeiras e governos a contribuir para esse esforço a partir de suas respectivas perspectivas.” diz a carta Na carta, Corrêa do Lago avalia que a conferência realizada em Belém, em novembro de 2025, marcou a transição do regime climático internacional para uma nova fase centrada na implementação, após três décadas de negociações. Segundo o balanço feito pelo embaixador, a urgência climática supera o ritmo das decisões diplomáticas tradicionais e exige mecanismos capazes de acelerar a entrega de resultados. O documento reconhece limitações do atual sistema multilateral e propõe um modelo de dois níveis: um baseado no consenso, responsável por garantir legitimidade e segurança jurídica; e outro voltado à implementação, que permita a atuação de coalizões de países e de atores não estatais sem reabrir decisões já pactuadas. O texto destaca ainda que a COP30 se consolidou como a “COP da Implementação”, ao mobilizar mais de 480 iniciativas em 190 países por meio da Agenda de Ação Climática e ao registrar a apresentação de mais de 120 novas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs). Entre os resultados citados estão a capitalização inicial superior a US$ 6,6 bilhões do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) e a adoção de 56 decisões por consenso. A carta também enfatiza o caráter participativo da conferência, com mutirões temáticos em todos os continentes, eventos preparatórios no Brasil e ampla programação em Belém, incluindo a Zona Verde, a Cúpula dos Povos, a Aldeia Indígena da COP30 e a Marcha Global pelo Clima, que reuniu cerca de 70 mil pessoas. Ao final, Corrêa do Lago afirma que o regime climático internacional entrou em uma fase de transformação e defende que a resposta à crise climática deixe de depender exclusivamente de negociações formais, passando a se apoiar em um movimento global irreversível voltado à implementação concreta das soluções acordadas.