Em acareação, Vorcaro e ex-presidente do BRB se contradizem sobre origem dos papéis vendidos pelo Master
2026-01-29 - 20:21
O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, apresentaram versões divergentes durante acareação conduzida no fim de dezembro pela Polícia Federal, sobre a origem das carteiras de crédito vendidas pelo Banco Master ao banco público. Os vídeos com a acareação foram publicados nesta quinta-feira (29) pelo portal "Poder 360". Na acareação, Questionado pela delegada responsável pelo inquérito, Vorcaro negou ter informado que as carteiras comercializadas seriam originadas pela empresa Tirreno ou pelo próprio Master. Segundo ele, o que foi comunicado ao BRB foi apenas a mudança do modelo de negócios, com a venda de carteiras originadas por terceiros. “Anunciamos que faríamos vendas de originadores terceiros. Não me lembro, naquela ocasião, sequer do nome Tirreno. A conversa era sobre um novo formato de comercialização, com carteiras originadas por terceiros, e não mais por originação própria”, afirmou. Ao ser indagado se havia avisado explicitamente que se tratava de créditos de terceiros, Vorcaro respondeu que sim, mas disse não se recordar da data exata. “A gente chegou a conversar em algum momento que teria essa comercialização desse novo tipo de carteira”, disse. Já Paulo Henrique Costa apresentou entendimento diferente. Segundo ele, a informação recebida pelo BRB era de que se tratava de carteiras originalmente originadas pelo Master, que teriam sido vendidas a terceiros e, posteriormente, recompradas e revendidas ao banco público. “O entendimento que eu coloquei é que eram carteiras originadas pelo Master, negociadas com terceiros, e que o Master estava recomprando e revendendo para a gente”, afirmou. Vorcaro rebateu a versão. Disse que não havia informação de recompra pelo Master e que as carteiras vinham de originadores que já atuavam no mesmo ambiente de negócios do banco, mas não haviam sido originadas pela instituição. “Eram carteiras dos mesmos originadores que faziam originação para o Master, mas não especificamente originadas por nós”, declarou. Durante a acareação, também houve divergência sobre a documentação apresentada na venda das carteiras. Questionado se o documento que identifica o originador do crédito fazia parte do material entregue à instituição compradora, Vorcaro afirmou que não tinha conhecimento detalhado do procedimento e que, em sua avaliação, essa informação não era relevante para a análise de risco. Paulo Henrique, por sua vez, afirmou que a documentação normalmente inclui planilhas com dados detalhados dos créditos — como CPF, data de originação, valor e taxa — além de amostras de contratos e comprovantes de averbação, mas sem a identificação explícita de quem originou o crédito. Segundo Vorcaro, o foco do processo sempre foi o risco do cliente final. “O risco final é o cliente na ponta. Quem originou não é relevante no processo de risco”, afirmou.