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Economia brasileira desacelera em 2025; PIB tem menor resultado desde a pandemia

2026-03-04 - 01:23

Economia brasileira desacelera e tem menor resultado desde a pandemia A economia brasileira desacelerou em 2025. O Produto Interno Bruto cresceu 2,3%, o menor resultado desde a pandemia. O destaque positivo foi a agropecuária. Para quem vive do chão, 2025 foi mesmo notável. Um ano com safra recorde de grãos: milho e soja. Alimentos que engordaram a cesta de exportações, sobretudo para a China. Boa parte do que o produtor rural Flávio Delgado colhe vai para lá: “Nós temos aí a China, que é o nosso principal comprador, comprando com bastante força, e a tendência é sempre estar aumentando o consumo”, conta. O campo produziu mais e melhor. O IBGE destaca os ganhos de produtividade, inclusive na pecuária, impulsionando o crescimento expressivo de 11,7%. A agropecuária foi o segundo setor que mais impactou o PIB de 2025, atrás apenas de serviços. O setor que mais emprega e mais movimenta riquezas, no entanto, desacelerou. Depois de uma alta de quase 4% em 2024, o principal motor da economia cresceu 1,8% em 2025. Apesar da perda de ritmo, todas as atividades de serviços tiveram desempenho positivo - destaque para informação e comunicação. “As empresas, para poderem reduzir custo e conseguirem sobreviver em um momento mais adverso da economia, precisam inovar. A gente diz que é meio independente do ciclo econômico. Sempre vai ser positivo, tanto por necessidade de inovação, necessidade de sobrevivência em um mercado tão difícil”, afirma Silvia Matos, economista FGV Ibre. A soma de todos os bens, produtos e serviços - de toda a riqueza - que o Brasil produziu em 2025 foi de R$ 12,7 trilhões. Em 2025, o PIB cresceu 2,3% - o menor resultado desde a pandemia. Em um ranking que mede o crescimento do PIB de 61 países, o Brasil foi do 20o lugar, em 2024, para o 36o em 2025. As despesas do governo cresceram 2%. Boa parte do que a economia movimentou veio do consumo das famílias, que, assim como o PIB, também avançou em um ritmo mais lento. Para a economista Silvia Matos, é um efeito da taxa de juros alta: “Esse é o aspecto importante da desaceleração que a gente diz: juros afetando as famílias. É através do canal do crédito. A gente sabia que o consumo das famílias teria que desacelerar este ano. Mas, se a gente olha o número, é 1,3%. Um número positivo até, pensando em uma taxa de juros de 15%”. O bom desempenho do mercado de trabalho ajudou a compensar alguns impactos. Gastar em uma viagem de fim de semana com o filho, por exemplo, é uma das conquistas recentes da operadora de empilhadeira Giselle Carvalho, contratada em 2025. “Viagens simples, passeio na praia. Coisas simples, mas dá para fazer. Ele ficou muito orgulhoso: ‘Mãe, você operadora de empilhadeira’. Geralmente a gente vê isso como mais homens do que mulheres”, conta. Uma vaga que paga melhor porque a empresa tem fechado bons contratos, principalmente com as companhias do setor de óleo e gás, que vive um bom momento. “O índice de confiança, de uma forma geral, se você não está inserido nessa cadeia que está crescendo, ele está baixo. Os empresários que trabalham nesse segmento estão confiantes. Mas, de forma geral, existe uma incerteza global”, afirma Samir de Carvalho, CEO do Grupo Arm. “A gente está em um momento onde a política monetária e fiscal ao não andam na mesma direção, você está privilegiando o consumo a curto prazo, consumo de governo, ao invés de criar espaço para crescimento mais sustentável, ou seja, investimento”, diz o economista André Perfeito. Economia brasileira desacelera em 2025; PIB tem menor resultado desde a pandemia Jornal Nacional/ Reprodução Indústria Se o dado do PIB reflete o passado da atividade econômica, com o nível de investimento é que se olha para frente. Veja Ademilson Santos da Silva: carro novo, para ele, é uma ferramenta para crescer, porque além de bombeiro, trabalha como motorista de aplicativo. Ele passou o último trimestre pesquisando, mas o dinheiro só deu para o modelo usado: “A minha vontade era comprar um carro zero, mas diante da situação, do juro muito alto, não consegui comprar um zero”, conta. É o cenário das fábricas, onde a desaceleração ficou mais evidente: setores que sentiram o peso da taxa de juros, que começou a subir meses antes para o controle da inflação. A indústria da transformação, por exemplo, depende do crédito para investir na produção e financiar a compra do cliente. “É um setor que precisa muito de capital. São muitos robôs, são muitas linhas de pintura, de estamparia e tudo isso. Então, precisa de um capital bastante intensivo, de longo prazo. Então, realmente é uma dificuldade”, afirma Ciro Possobom, CEO e presidente da VW Brasil. Na falta de crédito barato, a atividade industrial teve um crescimento tímido: 1,4%. É o pior resultado desde 2020, ano da pandemia. O setor só não encolheu pelo desempenho da indústria extrativa, com alta de quase 9%. Construção civil cresceu bem menos. Já a indústria de transformação e a de eletricidade e gás, água, esgoto e resíduos tiveram resultado negativo. Os investimentos também foram menores. A compra de máquinas e equipamentos cresceu menos que em 2024. “O investimento e a indústria foram os segmentos que mais desaceleraram no ano passado. Investimento especialmente é uma preocupação. Está tendo uma queda importante desde metade do ano passado. É uma sinalização de que a política monetária está tendo efeito”, afirma Sérgio Valle, economista-chefe da MB Associados. No geral, a taxa de investimento caiu para 16,8% do PIB - bem menos que a média mundial, que é de 25,1%, e das economias emergentes, acima de 30%. “O comportamento do investimento andando de lado era esperado por conta da taxa de juros. Agora, o que preocupa mais é a dificuldade que nós temos de construir grandes ciclos de elevação do investimento”, diz Samuel Pessoa, economista BTG Pactual. “Esse é o ponto essencial: a nossa história mostra, no passado, que para baixar a taxa de juros você tem que fazer o ajuste fiscal primeiro. Se a gente fizer isso, a gente abre espaço para a taxa de juros começar a cair e aí você começa a gerar um crescimento um pouco mais sustentável. O governo tem que gastar menos. A gente fez um arcabouço fiscal em 2023, no governo atual, não foi suficiente. São quatro anos seguidos de déficit que a gente vai ter na economia brasileira. A gente precisa mudar de patamar, a gente precisa ir para superávit. Ou seja, diferença de receita e despesa ser positiva. E para essa economia acontecer, a gente precisa fazer um ajuste adicional", diz Sérgio Valle. LEIA TAMBÉM PIB do Brasil cresce 2,3% em 2025, diz IBGE 'O dinheiro aumenta, mas não dá para comprar nada': por que o brasileiro não sente a melhora da economia?

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