Donald Trump afirma que único acordo possível com o Irã é a rendição total
2026-03-07 - 01:13
Donald Trump exige rendição do Irã A guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã completou uma semana nesta sexta-feira (6). Israel intensificou os ataques contra a Guarda Revolucionária do Irã e contra o grupo Hezbollah, no Líbano. E Donald Trump declarou que o único acordo possível com o Irã é a rendição total. Sétimo dia de conflito. Explosões no céu de Teerã de noite e de dia. O governo israelense disse que 50 aviões bombardearam um bunker que fazia parte do complexo onde vivia o aiatolá Ali Khamenei. Ele foi morto no sábado (28), no primeiro dia do conflito, mas o bunker ainda estava sendo usado pela liderança iraniana. As forças de defesa de Israel também divulgaram uma animação que mostra como era o complexo. O espaço ocupava vários quarteirões no centro de Teerã e possuía diversos pontos de entrada e saída espalhados pela capital. No subsolo, em uma profundidade de pelo menos cinco andares, os corredores levavam a salas de reunião para a alta cúpula do regime iraniano. Segundo os militares israelenses, a ofensiva atingiu 400 alvos só nesta sexta-feira (6). Mas a Guarda Revolucionária ainda teria entre 100 e 200 lançadores de mísseis. Donald Trump afirma que único acordo possível com o Irã é a rendição total Jornal Nacional/ Reprodução Em Teerã, iranianos se reuniram para as orações de sexta-feira. Muitos levavam cartazes do ex-líder supremo Ali Khamenei. O clima é de luto, mas também de mobilização. A ONU pediu uma investigação sobre o ataque à escola de meninas na cidade de Minab, no sul do Irã, que matou mais de 160 crianças. Segundo autoridades americanas ouvidas pela agência Reuters, investigadores militares dos Estados Unidos avaliam que o bombardeio pode ter sido realizado por forças americanas, mas a investigação ainda não foi concluída. A resposta iraniana continua sendo disparada contra o território israelense. O governo iraniano afirmou que drones atacaram o porta-aviões americano Abraham Lincoln, no Golfo de Omã. O Pentágono nega. Na outra frente da guerra, explosões sacudiram os subúrbios ao sul de Beirute, no Líbano. Antes, Israel ordenou uma evacuação sem precedentes de toda a região sul da capital libanesa, uma área que é considerada reduto do Hezbollah. Segundo os militares israelenses, os alvos foram centros de comando e depósitos de armas do grupo. O governo libanês afirma que mais de 200 pessoas já morreram, e Israel diz ter eliminado 70 integrantes do Hezbollah. No Centro de Beirute, famílias deslocadas passaram a noite ao relento na Praça dos Mártires. Muitos vieram dos subúrbios ao sul da cidade, alvo de intensos bombardeios israelenses durante a noite. A agência da ONU para refugiados afirma que quase 100 mil pessoas foram obrigadas a deixar suas casas no Líbano. O contra-ataque do Hezbollah também veio: foguetes contra posições militares israelenses perto da fronteira. Na outra frente da guerra, explosões sacudiram os subúrbios ao sul de Beirute, no Líbano Jornal Nacional/ Reprodução Enquanto os ataques se multiplicam, surgem sinais de envolvimento de outras potências. O jornal americano “Washington Post” afirma que, desde o início da guerra, a Rússia estaria fornecendo informações de inteligência ao Irã para ajudar a atingir forças americanas no Oriente Médio. Procurado, o porta-voz do Kremlin não quis comentar a reportagem. Os ataques iranianos voltaram a atingir vários países vizinhos. No Kuwait, foram registradas explosões perto da base aérea de Al-Salem. A Arábia Saudita interceptou um míssil de cruzeiro ao sul de Riad. Drones atingiram o aeroporto de Basra, no Iraque, e refinarias e campos de petróleo também no Iraque. O conflito na região fez a cotação do petróleo voltar a subir. O barril do tipo Brent, que é a referência internacional, teve a maior cotação desde 2023 e passou de US$ 90. O ministro da Energia do Catar alertou que o conflito pode obrigar os países do Golfo a paralisar a produção e levar o preço do barril a US$ 150, derrubando a economia mundial. As populações civis dos países em guerra tentam viver a normalidade. Em Teerã, iranianos se reuniram para as orações de sexta-feira. Muitos levavam cartazes do ex-líder supremo Ali Khamenei. O clima é de luto, mas também de mobilização. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, chegou a dizer que alguns países já tentam reabrir um diálogo entre o Irã e os Estados Unidos. Mas pouco depois, Donald Trump foi às redes sociais para dizer que o único acordo possível com o Irã é uma rendição completa e a escolha de um novo líder que seja aceitável. Em entrevista à rede americana CNN, o presidente americano disse que não se importa se o próximo líder vai ser democrático ou não: "O que importa é que trate bem os Estados Unidos, Israel e os vizinhos no Oriente Médio", disse Trump. Os líderes da Itália, França, Alemanha e Reino Unido conversaram por telefone sobre a escalada da guerra no Oriente Médio e receberam com interesse a proposta do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, de compartilhar com os países da região a experiência ucraniana na interceptação de drones. LEIA TAMBÉM Trump diz não se importar se novo governo do Irã será democrático Trump exige 'rendição incondicional' do Irã Por que invasão por terra no Irã pode estar a caminho - mas não por soldados americanos ou israelenses Resistência e dissuasão: a estratégia de alto risco do Irã para a guerra Sandra Cohen: Em uma semana, guerra no Irã produz efeitos drásticos no Oriente Médio e mensagens contraditórias dos EUA