Documento do FBI sugere que Trump tinha conhecimento de crimes de Epstein: 'Todos sabiam'
2026-02-10 - 23:25
Uma entrevista recém-divulgada pelo FBI sugere que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tinha conhecimento sobre os crimes do bilionário Jeffrey Epstein. O material foi revelado pelo jornal Miami Herald e pela agência Reuters nesta terça-feira (10). O arquivo está entre as mais de 3 milhões de páginas divulgadas sobre o caso Epstein pelo Departamento de Justiça no fim de janeiro. O bilionário é acusado de comandar uma rede de abuso sexual que envolvia, inclusive, menores de idade. Epstein tirou a própria vida na prisão em 2019. O documento traz o resumo de uma entrevista feita em 2019 com Michael Reiter, ex-chefe de polícia. Segundo ele, em junho de 2006, quando atuava em Palm Beach, na Flórida, recebeu uma ligação de Trump na qual Epstein foi citado. “Ainda bem que você está impedindo isso, todos sabiam que ele tem feito isso”, disse Trump a Reiter, segundo o relato. De acordo com a entrevista, Trump afirmou que já esteve perto do bilionário na presença de adolescentes, mas que deixou o local rapidamente. O atual presidente teria dito ainda que pessoas em Nova York sabiam que Epstein era "repuganante". "Trump relatou que esteve com Epstein uma vez quando havia adolescentes presentes e que “saiu correndo de lá”. Trump foi uma das primeiras pessoas a ligar quando as autoridades descobriram que estavam investigando Epstein", diz o arquivo. Ainda segundo arquivo, Trump descreveu Ghislaine Maxwell, associada do financista, como “malvada”, e disse que as autoridades deveriam focar nela. Ghislaine está presa atualmente, condenada por envolvimento no esquema de Epstein. Reiter, que se aposentou em 2009, confirmou os detalhes da entrevista ao Miami Herald. Questionado sobre a conversa, o Departamento de Justiça afirmou não ter conhecimento de nenhuma evidência “que corrobore que o presidente tenha entrado em contato com as autoridades há 20 anos”. Trump foi amigo de Epstein por anos, mas os dois se afastara, antes da primeira prisão do bilionário, segundo o próprio presidente. Ele também afirma repetidamente que não tinha conhecimento dos crimes. A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse nesta terça-feira que Trump foi “honesto e transparente” sobre o fim da relação com Epstein. “Foi uma ligação que pode ou não ter ocorrido em 2006”, afirmou. “Não sei a resposta para essa pergunta.” Secretário na mira Também nesta terça-feira, o secretário do Comércio dos EUA, Howard Lutnick, tentou se afastar de Epstein ao depor em uma audiência no Senado. Ele afirmou que “mal teve qualquer relação” com o financista. Arquivos do Departamento de Justiça, no entanto, incluem e-mails que indicam que Lutnick visitou a ilha privada de Epstein no Caribe para um almoço em 2012, sete anos depois de ter dito que havia rompido todos os laços com ele. As revelações levaram a pedidos de renúncia feitos tanto por republicanos quanto por democratas. Lutnick disse aos senadores que os dois se encontraram apenas três vezes ao longo de 14 anos e que o almoço, que teria incluído familiares, ocorreu porque ele estava em um barco próximo à ilha. “Eu sei, e minha esposa sabe, que não fiz absolutamente nada de errado em nenhuma circunstância possível”, afirmou na audiência. Os e-mails, porém, contradizem declarações anteriores de Lutnick de que, em 2005, ele teria prometido nunca mais ver Epstein. Segundo o relato, a decisão teria sido tomada depois que Epstein, então seu vizinho, mostrou uma mesa de massagem em sua casa e fez um comentário de cunho sexual. No domingo (8), o deputado republicano Tom Massie disse à CNN que Lutnick deveria “facilitar a vida do presidente e, francamente, renunciar”. Já a secretária de imprensa da Casa Branca afirmou que Trump “apoia plenamente” Lutnick. Ainda nesta terça, democratas no Congresso apresentaram um projeto de lei para facilitar que vítimas adultas de tráfico sexual processem seus agressores, mesmo muitos anos depois dos crimes. O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, e a deputada Teresa Leger Fernandez anunciaram a proposta ao lado de vítimas de Epstein e de familiares de Virginia Giuffre. O texto, chamado de Lei de Virginia, leva o nome de Giuffre, uma das principais acusadoras de Epstein, que morreu por suicídio no ano passado. Epstein foi encontrado morto em uma cela em Nova York em 2019, enquanto aguardava julgamento. Embora a morte tenha sido oficialmente classificada como suicídio, o caso alimenta teorias da conspiração há anos, incluindo algumas amplificadas por Trump durante a campanha presidencial de 2024. Ghislaine Maxwell, que cumpre pena de 20 anos por ajudar Epstein a abusar de adolescentes, prestou depoimento na segunda-feira ao comitê de supervisão da Câmara dos Representantes, mas se recusou a responder às perguntas.