Dirigentes de time do Tocantins receberam R$ 3,1 milhões das contas do clube, aponta Polícia Civil
2026-03-13 - 14:53
Polícia investiga suposto desvio de dinheiro de prefeitura para time no Tocantins O relatório da Polícia Civil sobre o suposto esquema de desvio de dinheiro envolvendo o Tocantinópolis Esporte Clube (TEC) aponta que o atual presidente do clube, Leandro Pereira Sousa, e o ex-gestor, Wagner Pereira Novais, receberam R$ 3.147.325,00 das contas do time, entre 2020 e 2024. O g1 e a TV Anhanguera tiveram acesso ao relatório policial da investigação. Nesta quinta-feira (12), a PC cumpriu mandados de busca e apreensão em uma operação que investiga suposto desvio de recursos públicos da Prefeitura destinados ao TEC, entre 2009 e 2021. O atual prefeito da cidade, Fabion Gomes (PL), foi alvo de buscas, assim como Leandro, Wagner e o ex-prefeito Paulo Gomes (PL). 📱 Clique aqui para seguir o canal do g1 TO no WhatsApp O prefeito Fabion Gomes (PL) informou, em vídeo divulgado nas redes sociais, que os pagamentos ao time foram cancelados durante sua gestão por ordem judicial, mas os repasses de gestões anteriores foram feitos com base em uma lei municipal. Wagner Novais foi procurado, mas ainda não se manifestou sobre as buscas e sobre os valores recebidos. O g1 não conseguiu contato com Leandro Pereira para comentar os valores supostamente recebidos. Na quinta-feira (12), ele informou que o clube não tem convênio e não recebe repasses da prefeitura desde que assumiu a presidência em janeiro de 2025 (veja posicionamento abaixo). O ex-prefeito Paulo Gomes afirmou que nenhum time do interior sobrevive sem o apoio do poder público municipal e "atacar financeiramente o Clube é tentar enfraquecê-lo, torná-lo menos competitivo e calar uma das instituições esportivas mais relevantes do Estado" (veja nota abaixo). O Tocantinópolis Esporte Clube não se manifestou oficialmente sobre as investigações. Leandro Pereira de Sousa e Wagner Pereira Novais Arte g1 Relatório apontou movimentações suspeitas Entre as fontes de renda do Tocantinópolis no período investigado estavam repasses de entidades do futebol, e pagamentos mensais feitos pela prefeitura da cidade. Em dezembro de 2025, uma decisão da 1a Vara Cível da cidade suspendeu os repasses municipais e determinou o bloqueio de bens do clube, do atual prefeito e do ex-prefeito Paulo Gomes (PL). A investigação envolvendo os repasses do município ao clube teve início após o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontar movimentações suspeitas envolvendo os dirigentes do time. O relatório da Polícia Civil mostra que foram feitos saques em espécie e transferências bancárias tendo contas pessoais dos dirigentes e de pessoas físicas como destinatários. Wagner Pereira Novais possui um bar em Tocantinópolis e ocupou cargo comissionado na Assembleia Legislativa do Tocantins entre 2017 e 2019. Segundo a PC, ele mandava no clube entre 2017 e 2024. A investigação aponta que ele movimentou em suas contas, entre recebimentos e pagamentos, o montante de R$ 16.945.424 entre janeiro de 2022 e 2024. Neste período, a polícia encontrou movimentações consideradas suspeitas. Wagner chegou a transferir R$ 1.782.424,50 para Leandro Pereira. O ex-presidente também transferiu dinheiro para contas de pessoas físicas, sendo R$ 58 mil para uma vizinha. O atual presidente do Tocantinópolis é Leandro, que é 2o sargento da Polícia Militar. O relatório policial aponta que ele tem rendimentos médios de R$ 7,9 mil e mesmo assim recebeu R$ 1.116.200,00 entre outubro de 2023 e outubro de 2024 do clube, antes mesmo de ser eleito presidente. Neste período, ele seria tesoureiro do clube. A polícia também investiga saques em espécie supostamente feitos por Leandro nas contas do TEC em maio de 2025, totalizando R$ 222.552,00. Repasses do município ao clube A Operação 2o Tempo tem o objetivo de desarticular um suposto esquema de desvio de recursos públicos do município de Tocantinópolis destinados a um clube. A polícia afirma que, entre 2009 e 2021, a Prefeitura repassou R$ 5,1 milhões ao clube. Os repasses seguiram até o fim de 2024, quando foram suspensos pela Justiça. Para a polícia, o clube era utilizado como uma estrutura de fachada, com a falsificação de documentos, como atas e recibos, para simular a legalidade das transferências, que não possuíam relação com o interesse público ou atividades esportivas reais. Após chegarem às contas do clube, os valores supostamente eram redistribuídos para contas pessoais de dirigentes e terceiros, além de serem realizados saques em espécie para dificultar o rastreamento do dinheiro. Íntegra da nota de Paulo Gomes O TEC carrega uma história de vitórias, conquistas e grandes campanhas no futebol tocantinense. Como clube do interior, sempre representou com orgulho a nossa cidade e deu contribuição decisiva ao Campeonato Estadual. Talvez por isso tenha enfrentado tantos adversários dentro e fora de campo. A verdade é uma so: nenhum time do interior sobrevive sem o apoio do poder público municipal. E nós não vamos desistir do time da cidade. O TEC é orgulho do nosso povo. Defender o esporte é defender a juventude, é afastar nossos jovens das drogas, da prostituição e de caminhos sem futuro. Atacar financeiramente o Clube é tentar enfraquecê-lo, torná-lo menos competitivo e calar uma das instituições esportivas mais relevantes do Estado. Seguiremos firmes, apoiando os campeonatos municipais e lutando até o último momento pelo TEC, pela nossa história e pelo orgulho do nosso povo. Íntegra da nota de Leandro Pereira Com relação a essa situação, do que que está sendo investigado, é um possível repasse que o Tocantinópolis recebia da Prefeitura de Tocantinópolis através de uma lei municipal, lei essa que vem desde a fundação do clube, em que a prefeitura municipal, autorizada pela Câmara Municipal, fazia um repasse mensal de 30 salários mínimos para o Tocantinópolis Esporte Clube. Com relação a esses repasses, em dezembro de 2024, antes de eu ser presidente, ter a eleição para presidente, tinha uma liminar que suspende esse repasse. E dali então não foi mais feito repasse. Depois que eu assumi a presidência e o prefeito Fabion Gomes, que assumiu também em janeiro de 2025, não houve repasse da prefeitura. O Tocantinópolis Esporte Clube, nesse um ano e três meses de mandato, não teve nenhum repasse público de nada. Hoje o Tocantinópolis não tem convênio nenhum com a prefeitura municipal de Tocantinópolis. Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.