Dia da Mulher: conheça histórias de mulheres empreendedoras que começaram do zero
2026-03-08 - 08:13
Dia da Mulher: conheça histórias de mulheres empreendedoras que começaram do zero O Dia da Mulher surgiu a partir de movimentos no início do século XX, organizados por mulheres que lutaram por melhores condições de trabalho, salários dignos e outros direitos fundamentais. Cem anos depois, mulheres empreendedoras têm investido em seus sonhos e começaram seu negócio do zero. Com muito esforço e dedicação conseguiram destaque em diversas áreas. Conheça algumas dessas histórias inspiradoras. O g1 conversou com mulheres que venceram o medo e os desafios para seguir em busca de sonhos. São mães, empresárias, empreendedoras da moda, da beleza e dos sabores. Exemplos de quem venceu e que também podem ser inspiração para quem deseja dar o primeiro passo. ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp Beleza e entrega Naiane Alves, proprietária do Na.Salon Antônio Carlos Cardoso O salão da cabeleireira, esteticista, cosmetóloga e empresária Naiany Alves completou 18 anos e fica em Trindade, na Região Metropolitana de Goiânia. Hoje, com 33 anos, ela conta que começou a trabalhar nesse ramo com apenas 14 anos, atendendo na área de sua casa, e pediu para a mãe, de presente de 15 anos, um curso técnico de cabeleireira. "Fiz e iniciei os atendimentos de forma simples e com poucos recursos, mas com a meta de entregar os melhores resultados", ela conta. "Com isso, fui ganhando espaço e a confiança da cidade, fazendo minha cartela de cliente. Mesmo muito jovem, dei o primeiro passo de construir meu primeiro espaço na frente de casa mesmo. Nessa época, mesmo com pouco espaço de um salão de bairro, os números já surpreendiam quem entendia de finanças", conta orgulhosa. Segundo a Naiany, em 2013 ela se graduou em estética e cosmética pela Universidade Estadual de Goiás (UEG) e seguiu fazendo especialização na parte capilar, que ela descreve como sua paixão. Ela conta ainda que, no começo, empreendia sem nenhuma noção de gestão financeira e, aos poucos, foi se organizando, vendo resultados e entendendo o que era empreender de fato. LEIA TAMBÉM: Goiás lança operação de combate à violência contra mulheres com prisões e monitoramento de agressores De presidente do STJ a cientista: conheça histórias de goianas inspiradoras Naiany contou que, durante o crescimento do salão, ela se casou, foi mãe do Noah, hoje com 7 anos, conquistou sonhos e investiu ano a ano em seu negócio. Segundo ela, há quatro anos se separou e precisou se dividir entre a maternidade e o empreendedorismo, época em que se reinventou. "Maior que o medo e as dificuldades ao empreender sendo mulher e mãe, é o propósito que cada uma de nós carregamos", afirmou. "Vim de uma família simples. Meu pai trabalhou de varrer ruas por anos, depois de ajudante de pedreiro. Minha mãe, do lar, e fazia bicos como empregada doméstica. Eles que me ensinaram a integridade que tenho hoje como mulher, mãe, empresária; que a base de tudo é Deus e muito trabalho honesto", destacou Naiany. Moda e identidade Brenda Raylla, dona da loja Brenda Closet Reprodução/Arquivo pessoal Brenda Raylla Cassiano tem de 27 anos e é formada em pedagogia. Antes de se tornar empresária, chegou a trabalhar como professora. Há sete anos ela tem uma loja de roupas, mas, antes disso, ela disse que a fé em Deus a guiou para começar no ramo das vendas. "Comecei vendendo roupas de porta em porta. Depois, atendi no quarto da casa da minha avó. Era o começo de um sonho enorme. Hoje estou na avenida principal da cidade", diz orgulhosa. Segundo a empresária, ela começou como sacoleira e foi crescendo e aprendendo com os erros. Brenda conta que, por ser mulher e jovem, muitas vezes não foi levada a sério no início, mas escolheu continuar lutando pelo que acreditava. "Quando uma mulher cresce, ela abre caminho para outras crescerem também. Isso é transformação social", afirma. Brenda diz que, no começo, o maior desafio foi o medo e a instabilidade financeira. Ela lembra que empreender é arriscar e exige constância diariamente, abrir mão da segurança para acreditar em algo maior. Os desafios continuam para manter padrão, inovar, lidar com concorrência e gerir as demandas da loja. "Eu vendo mais do que moda. Eu vendo identidade. A moda feminina precisa ser feita por mulheres que entendem outras mulheres — nossas inseguranças, nossos sonhos, nossa força, elevar a autoestima, fazer a mulher se sentir linda, confiante e valorizada", destacou. Símbolos de amor e autoestima Susane Rocha, dona da Maryá Joias Reprodução/Arquivo pessoal A Susane Rocha Alves, de 40 anos é empresária do ramo de joias em prata há seis anos. Ela conta que, antes de começar sua loja, foi supervisora de uma grande marca de cosméticos e, quando a pandemia veio e o medo do desemprego surgiu, resolveu começar seu próprio negócio. Então, usou o dinheiro do seu acerto para comprar peças e começar a oferecer para as clientes. "Aí foi fluindo. Sempre dá um pouquinho de trabalho. Fiquei assim mais ou menos dois anos. E aí fiz minha loja online no Instagram", conta Susane. Ela é mãe solo e o nome da sua loja é uma homenagem aos dois filhos. Com as vendas aumentando pelas redes sociais, ela sentiu que precisava de um espaço maior e aí surgiu a loja física. Ela destaca a identificação de outras mulheres. "Grande parte das clientes de joias são mulheres. Quando elas veem outras mulheres criando, vendendo e liderando, a identificação é imediata. Isso gera confiança e proximidade com a marca", afirmou. Para a empresária, os desafios são muitos. Segundo ela, existe o medo de não dar certo e é preciso se dedicar 100% todos os dias para que as coisas funcionem. Uma montanha-russa de sentimentos que enfrenta com fé. "Falo com Jesus e o medo vai embora! Quando você se torna um empreendedor, sua fé vira inabalável", afirma. De acordo com a Susane, vender é uma coisa que está no sangue e a maior motivação e força são os seus filhos. Para ela, cada cliente tem uma história e as joias carregam significado de amor, conquista, autoestima e momentos inesquecíveis. Cafés especiais Gabriella Zanella, franqueada da cafeteria Cheirin Bão, em Goiânia Reprodução/Arquivo pessoal O desejo de empreender sempre esteve com a Gabriella Vianna Zanella, que é de Goiânia e formada em administração, além de ser empresária do ramo de cafeterias. Ela conta que tudo começou há um ano e seis meses, depois de uma feira de franquias em que ela participou em São Paulo. Hoje, ela tem uma equipe formada apenas por mulheres. "Me encantei pela proposta da marca, pelo conceito acolhedor e, principalmente, pelo diferencial dos cafés especiais. Após algumas reuniões e análises, decidi investir e foi uma das decisões mais importantes da minha trajetória", contou. Segundo a Gabriella, por não ter sócios, ela precisou assumir todas as funções no início, como atendimento, estoque, compras, organização e gestão de equipe. Ela destaca que, apesar do período desafiador, essa experiência de viver cada etapa do processo a fez ver como tudo funciona na prática, e isso fez toda a diferença. Gabriella contou que, no começo, seu desafio principal foi aprender a gerenciar estoque e acertar o período das compras que, segundo ela, é fundamental no ramo alimentício. Hoje, ela precisa manter a loja em constante movimento e buscar novos clientes diariamente, ao mesmo tempo que fortalece o relacionamento com quem já é cliente. "Além do atendimento presencial, trabalhamos com delivery, o que amplia nosso alcance e permite que mais pessoas conheçam nossos produtos no conforto de casa. Também utilizamos as redes sociais, como Instagram e Facebook, para relacionamento e captação de novos clientes", disse a empreendedora. Estética e cuidado Dra. Francielly Fernandes Yan Salvatierra A doutora Francielly Rosa Fernandes é dentista desde 2012 e há seis anos trabalha exclusivamente na área da estética com harmonização facial. Ela conta que hoje tem um consultório próprio em Goiânia, onde realiza os atendimentos, além de atender pacientes no interior do estado com agenda pré-programada. Segundo Francielly, entre os desafios da sua profissão está o marketing barato, onde alguns profissionais divulgam preços e não os valores reais do seu trabalho. Ela destaca que a estética vai além do procedimento em si. "Mulheres têm uma sensibilidade maior para a estética, pois ela é o cuidado, a atenção; há todo um contexto por trás de uma consulta", destaca. Para Francielly, a felicidade de cada paciente depois de se ver no espelho é a maior motivação para realizar seu trabalho. Ela confessa que ama a estética e reforça que trabalhar com o que se ama é muito prazeroso. "Minha maior motivação é ver a felicidade dos meus pacientes pós-procedimentos, elevando a autoestima, devolvendo o amor-próprio ao se ver no espelho. Levar o bem a cada um que entra por aqui", afirma a doutora Francielly. Propósito e transformação Dra. Milena Hirota Reprodução/Arquivo pessoal A doutora Milena Hirota, de 42 anos, atua na área da estética avançada, com foco em harmonização orofacial. Sua especialidade é em protocolos personalizados de rejuvenescimento e contorno. Milena contou que a estética surgiu em sua vida como propósito, não apenas como profissão. "Sempre fui apaixonada por autoestima, cuidado e transformação. Ver o impacto emocional que um procedimento pode gerar na vida de uma mulher foi o que me fez ter certeza de que eu estava no caminho certo", disse. Segundo Milena, por ser mulher, no início enfrentou o desafio de precisar provar sua capacidade constantemente, e seu maior desafio é conseguir se posicionar em um mercado altamente competitivo para construir uma marca forte. "Muitas vezes a mulher precisa trabalhar o dobro para ser reconhecida da mesma forma. Além disso, conciliar carreira, maternidade e vida pessoal exige equilíbrio e força. Mas cada obstáculo me fortaleceu e me fez ter ainda mais certeza da minha capacidade", afirmou. De acordo com a doutora Milena, ter mulheres trabalhando com estética é fundamental e deixa como conselho que estudem muito, não busquem atalhos, construam autoridade com base em conhecimento, prática e ética, e que nunca duvidem da sua capacidade. "A mulher tem sensibilidade, olhar estético apurado e entende profundamente as dores e inseguranças de outras mulheres. A estética vai muito além da aparência; ela toca diretamente na autoestima", destacou. Autoestima e superação Diolange Lopes Carneiro Reprodução/Arquivo pessoal A cabeleireira especializada em produção de penteados e maquiagem de noivas, Diolange Lopes Carneiro, tem 15 anos de profissão e atende suas clientes em Anápolis. Ela disse que começou a trabalhar como manicure e depois como assistente em um salão da cidade, mas, para que pudesse ficar mais próxima dos três filhos, resolveu abrir o próprio salão. "Busquei ter bastante conhecimento e sempre observando para que pudesse me tornar uma profissional autônoma. Devido a ser mãe solo, queria estar mais próxima dos meus filhos, então passei a fazer atendimento home office e fui aos poucos conquistando meu espaço", contou. Diolange contou que precisou recomeçar várias vezes: primeiro, depois que perdeu tudo por causa de um sócio; depois, ela e a filha, Anneliese Carneiro, abriram um ateliê em casa, mas, por causa da pandemia, precisaram fechar as portas. Um tempo depois, passaram a trabalhar no espaço de um amigo, mas novamente pararam por causa de um acidente com a filha. "Hoje estamos retomando os atendimentos após 4 anos do acidente dela", contou Diolange. Entre as dificuldades enfrentadas durante sua trajetória, Diolange destacou que a aceitação não era muito boa por ser mãe solo; apesar disso, ela conta que não desistiu de buscar seus sonhos. "Hoje minha maior motivação são meus três filhos: Anneliese, Moisés e Davi. E o amor que tenho em poder, de alguma forma, cuidar do próximo; isso me dá vida", afirma. Segundo a Diolange, o ramo de trabalho que ela escolheu toca em um ponto crucial de toda mulher: a autoestima. Por isso, ela deixa como incentivo para outras mulheres que nunca desistam. "Seja você e não desista, independente dos obstáculos. Jamais esqueça quem você era, de onde veio e quem estendeu a mão quando você estava caído", disse. 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás. VÍDEOS: últimas notícias de Goiás