À deriva no Mediterrâneo, 'navio-fantasma' russo vira bomba ambiental
2026-03-19 - 17:40
Um navio-tanque russo de GNL, o Arctic Metagaz, danificado no início deste mês e atualmente à deriva sem tripulação, flutua em águas internacionais no Mar Mediterrâneo, entre Malta e as ilhas italianas de Lampedusa e Linosa, nesta imagem divulgada em 13 de março de 2026. Marina Militare/Divulgação via Reuters Após mais de duas semanas à deriva em águas internacionais no Mediterrâneo, um petroleiro russo abandonado e severamente danificado por explosões agora vem sendo arrastado pelas correntes marítimas em direção à Líbia. O avanço do navio agrava o risco de que seu destino desencadeie um desastre ambiental "irreversível", avaliam organizações de conservação. Segundo autoridades italianas, o navio é uma "bomba ambiental" que pode explodir a qualquer momento, dificultando a capacidade de resgate de seu conteúdo. Até agora, porém, nenhum país anunciou medidas concretas para impedir o vazamento de sua carga altamente explosiva no oceano. A vigilância da embarcação Arctic Metagaz foi assumida pela Itália em 3 de março, data em que Ministério dos Transportes da Rússia acusou a Ucrânia de atingir o navio com drones marítimos quando ele navegava perto de Malta e da ilha de Lampedusa. Nesta quarta-feira, porém, com o petroleiro rumando ao sul, Roma afirmou que não poderia mais acompanhá-lo de perto. O suposto ataque, não reconhecido por Kiev, danificou o casco da embarcação e obrigou a evacuação de 30 tripulantes, deixando à deriva sua carga de centenas de toneladas de diesel, óleo combustível, além de dois tanques de Gás Natural Liquefeito (GNL). Veja os vídeos que estão em alta no g1 "No momento em que a embarcação foi abandonada, 450 toneladas métricas de combustível pesado e 250 toneladas métricas de diesel, bem como uma quantidade significativa de gás natural, permaneciam em seus tanques de combustível", afirmou a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, em comunicado. O Arctic Metagaz, de 275 metros de comprimento, é um dos quase 600 navios sancionados pela União Europeia que compõem a "frota fantasma" russa, com proibição de acesso a portos e de prestação de uma ampla gama de serviços relacionados ao transporte marítimo. Risco ambiental irreversível Qualquer derramamento poderia causar "incêndios, nuvens criogênicas letais para a fauna marinha e uma poluição extensa e duradoura das águas e atmosfera" da região, uma das mais ricas em biodiversidade da bacia do Mediterrâneo, informou na sexta-feira o grupo ambientalista WWF. "O risco ambiental é, portanto, extremamente elevado e potencialmente irreversível", disse em nota. O subsecretário da Presidência do Conselho de Ministros da Itália, Alfredo Mantovano, argumentou a uma rádio italiana que Malta impôs uma proibição de aproximação a menos de 7 quilômetros do navio, "porque a embarcação pode explodir a qualquer momento”. "É uma bomba-relógio ambiental que ameaça causar graves danos em toda a região do Mar Mediterrâneo", disse. Na sexta-feira, quando o Arctic Metagaz se encontrava na zona de busca e salvamento (SAR) de Malta, a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, presidiu uma reunião de emergência para lidar com o caso. Em uma carta conjunta enviada à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, os líderes de Itália, Espanha, Malta, Grécia, Chipre e outros quatro países europeus alertaram que o navio representa um "risco iminente e grave" de um grande desastre ecológico e solicitaram a ativação do mecanismo de proteção civil do bloco. "A condição precária da embarcação, combinada com a natureza de sua carga especializada, gera um risco iminente e grave de um grande desastre ecológico no coração do espaço marítimo da União", escreveram. Contudo, com o afastamento do Arctic Metagaz de águas europeias, não está claro se o bloco continuará atuando no caso. Até o momento, as autoridades líbias afirmaram apenas que os navios e plataformas petrolíferas ao largo de sua costa devem estar atentos para o movimento do petroleiro russo, mas não anunciaram medidas concretas. Desde o ano passado, a Ucrânia lançou vários ataques contra a chamada frota fantasma russa, que transporta petróleo burlando as sanções do Ocidente contra a Rússia pela guerra na Ucrânia, com o objetivo de frear o financiamento da invasão. Neste caso, porém, não se manifestou sobre o incidente, classificado por Moscou como "um atentado terrorista e um ato de pirataria". gq (AFP, AP, EFE, OTS)