Deputados distritais deixam base do governo após votarem contra PL do BRB e sofrerem 'retaliação' de Ibaneis
2026-03-05 - 18:43
Deputado Thiago Manzoni em pronunciamento no plenário da CLDF. TV Câmara/Divulgação O deputado Thiago Manzoni (PL) anunciou que vai deixar a base aliada ao governo de Ibaneis Rocha (MDB) na Câmara Legislativa do DF. A declaração foi feita no plenário da CLDF, nesta quinta-feira (5). "Eu vou ser fiel e leal aos princípios, valores, ética e moral que me trouxeram até aqui. [...] Se fazer oposição ao que é escuso, o que não é certo, o que é errado, o que penaliza a população, se fazer oposição a tudo isso é fazer oposição ao governo Ibaneis então eu farei", afirmou o deputado. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. O deputado cobrou esclarecimentos do governador Ibaneis Rocha (MDB) em relação às irregularidades reveladas desde a tentativa fracassada de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília(BRB). "A dívida que é hoje do BRB vai passar para o Distrito Federal. O DF que está com dificuldade de pagar salários, vai agora aportar recursos de maneira ilimitada para salvar o BRB, eu não posso ser a favor disso", afirmou o deputado. O deputado afirmou que ligou para o governador e foi ofendido por ele. "Eu não tenho medo de xingamento, de retaliação, de punição", afirmou Thiago Manzoni. No pronunciamento, no plenário, o deputado ainda criticou a aprovação do projeto de lei que autoriza que imóveis do GDF sejam garantia para empréstimo do BRB. PL lança 'chapa dura' ao Senado A deputada distritial Bia Kicis e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Zack Stencil/PL A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e a deputada federal Bia Kicis vão disputar o Senado pelo Distrito Federal nas Eleições de 2026 pelo Partido Liberal (PL) formando uma “chapa pura” — ou seja, sem apoiar candidatos de outras siglas. A informação foi confirmada ao g1 por Bia Kicis. Segundo a deputada, a decisão está alinhada à direção nacional do partido e conta com o aval do ex-presidente Jair Bolsonaro – preso no Complexo Penitenciário da Papuda. "Eu e a Michelle somamos forças, trajetórias e públicos diferentes, mas com o mesmo eixo de valores e de pautas, como liberdade, família, respeito ao cidadão e defesa do Distrito Federal. A expectativa é muito objetiva: eleger duas senadoras do PL e dar ao DF uma representação firme, coerente e combativa no Senado", disse Bia Kicis ao g1. Em 2026, o Distrito Federal terá duas vagas em disputa no Senado. A terceira cadeira permanece com a senadora Damares Alves (Republicanos), eleita em 2022 e com mandato até 2030. Dobradinha de Michelle e Nikolas irrita Eduardo e expõe racha na direita Ibaneis mantém candidatura O anúncio de Bia Kicis frustra a expectativa do governador Ibaneis Rocha (MDB) – que é aliado da família Bolsonaro, quer se tornar senador e esperava uma "benção" do ex-presidente. Em mensagem ao g1, Ibaneis afirmou que mantém sua pré-candidatura ao Senado. Ele deve deixar o governo do DF no fim de março para disputar uma das cadeiras. Questionado sobre a decisão de o PL, Ibaneis disse apenas que "essa é uma decisão de outro partido". Nos bastidores, no entanto, o cenário agora é de tensão. O governador enfrenta uma "crise de imagem" desde o escândalo envolvendo a tentativa de compra do Banco Master pelo BRB. A deputada Bia Kicis, presidente do partido no DF, afirmou que o "PL está focado em valorizar seu quadro próprio". Nas últimas semanas, quatro pedidos de impeachment foram protocolados na Câmara Legislativa do DF por partidos de oposição. Todos acabaram arquivados pela Mesa Diretora da Casa. PL apoiará Celina Leão Vice-governadora do DF Celina Leão. Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil Com a decisão de lançar duas candidaturas próprias ao Senado, o PL também definiu que não terá candidato ao governo do Distrito Federal em 2026. Segundo Bia, presidente do PL no DF, a legenda deve apoiar a atual vice-governadora, Celina Leão (MDB), na disputa pelo Palácio do Buriti. Isso porque, ainda de acordo com a deputada, houve uma articulação com o PL Nacional, conduzida por Michelle Bolsonaro, para apoiar Celina. "Eu sempre defendi que seria importante lançar um nome do partido, mas, diante dessa definição, abrimos mão da candidatura própria e vamos apoiar a Celina", explicou Kicis. Veja os vídeos que estão em alta no g1 LEIA TAMBÉM: Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.