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Defesa de tenente-coronel suspeito de matar esposa diz que caso deve ir para a Justiça comum

2026-03-18 - 13:30

Veja o momento que tenente-coronel deixa condomínio com policiais no interior de SP A defesa do tenente-coronel Geraldo Neto, suspeito de matar com um tiro na cabeça a esposa, a soldado Gisele Alves, afirmou que a Justiça Militar não tem competência para analisar e julgar o caso, que deve ser encaminhado à Justiça comum. A vítima foi encontrada morta no apartamento onde o casal morava em São Paulo, em 18 de fevereiro. Na manhã desta quarta-feira (18), porém, a prisão preventiva do oficial foi decretada justamente pela Justiça Militar. Ele foi detido em São José dos Campos, no interior paulista, e indiciado por feminicídio e fraude processual, por supostamente ter adulterado a cena do crime. O advogado Eugênio Malavasi, que representa o tenente-coronel, informou que irá suscitar conflito de competência com a Justiça comum. 🔎 No Brasil, a definição sobre qual Justiça julga policiais militares depende da natureza do crime e de quem é a vítima: crimes militares, ligados à função ou contra outros agentes da corporação, ficam na Justiça Militar, enquanto crimes comuns — especialmente contra civis, como homicídio — são analisados pela Justiça comum. Segundo o Tribunal de Justiça Militar, a prisão preventiva foi decretada com base na garantia da ordem pública, na conveniência da instrução criminal e na necessidade de preservação da hierarquia e disciplina. Coronel Geraldo Neto (ao centro) é preso pela Corregedoria da PM por suspeita de matar a esposa, a soldado Gisele Alves Reprodução/TV Globo O órgão também apontou risco de interferência nas investigações, incluindo possível influência sobre testemunhas, e determinou a apreensão de celulares, a quebra de sigilo de dados eletrônicos e o compartilhamento de provas com a Polícia Civil. Inicialmente, o coronel afirmou que a esposa havia se suicidado após uma discussão, mas a versão foi descartada após a Polícia Civil tratar o caso como morte suspeita e laudos periciais indicarem homicídio. (Leia mais abaixo.) Na terça-feira (17), a delegacia responsável também pediu a prisão de Geraldo à Justiça comum, que ainda não havia se manifestado — a decisão acabou saindo primeiro na esfera militar. O tenente-coronel será encaminhado ao 8o Distrito Policial, no Brás, região central de São Paulo, onde prestará depoimento e passará por exames de corpo de delito. Em seguida, deve ser levado ao Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte. A Secretaria da Segurança Pública informou que o Inquérito Policial Militar será concluído nos próximos dias. “Desde o início a família não acreditou que Gisele poderia ter cometido suicídio”, disse o advogado José Miguel da Silva Júnior, que representa os parentes da vítima. “Esperamos que ele seja processado pelo Ministério Público, vá a júri e seja condenado.” Tenente-coronel Geraldo Neto é preso nesta manhã em São José dos Campos Laudos apontam feminicídio A decisão das autoridades em pedir a prisão de Geraldo aconteceu após a Polícia Técnico-Científica anexar ao inquérito laudos relacionados à morte de Gisele. Indícios que constam em dois dos 24 laudos foram determinantes para isso: Trajetória da bala que atingiu a cabeça da vítima; Profundidade dos ferimentos encontrados. Resultados de exames, como o necroscópico, o da exumação do corpo e o toxicológico foram cruciais para a delegacia concluir que Geraldo matou Gisele por ciúmes e possessividade. O oficial tem 53 anos; Gisele tinha 32. Carros da Polícia Civil e da Corregedoria da PM foram até apartamento no interior de SP prender coronel Geraldo Neto pelo assassinato da esposa, a soldado Gisele Alves Reprodução Muitos dos laudos foram refeitos a pedido da própria investigação porque havia dúvidas sobre as circunstâncias da morte da soldado. Veja abaixo a importância de cada um deles para a investigação: Necroscópico: concluiu que Gisele tinha marcas de dedos no pescoço e desmaiou antes de ser baleada e morta com um tiro na cabeça; Trajetória do tiro: apontou que o disparo foi dado de baixo para cima e com o cano encostado na cabeça; Exumação: vários exames foram refeitos no corpo, até mesmo complementares, como o necroscópico; Toxicológico: não encontrou resquícios de álcool ou drogas, descartando a possibilidade de ela ter bebido ou estar dopada; Residuográfico: não detectou pólvora nas mãos de Gisele nem nas de Geraldo; De local de crime: Gisele foi encontrada caída e segurando a arma, o que é incomum em casos de suicídio _segundo peritos, o mais provável é que ela largasse a pistola. Laudo mostra que PM morta em São Paulo tinha ferimentos no rosto e no pescoço Outros pontos que chamaram a atenção: O fato de o coronel ter telefonado para a PM, para pedir socorro, apenas 29 minutos minutos após uma vizinha escutar um tiro; O coronel havia dito que tinha tomado banho antes de a mulher atirar, mas quando socorristas chegaram ao imóvel o encontraram com o corpo seco; Somente após ter ligado para um desembargador amigo dele, que foi à residência, é que Geraldo foi se banhar, desobedecendo inclusive orientação de policiais militares que estavam no local. Câmeras de segurança gravaram o encontro do coronel com o desembargador (veja vídeo nessa reportagem); Exames indicaram a presença de sangue de Gisele no box do banheiro e em outros cômodos do apartamento. A perícia usou o luminol _equipamento com reagente químico, que indica substância hematóide contra a luz _ para achar as gotas de sangue; Após a perícia na residência, três policiais militares mulheres foram até lá limpar o imóvel. Por causa dessa conduta, o coronel passou a ser investigado pela Corregedoria da PM também por abuso de autoridade. Geraldo havia pedido afastamento da corporação após a morte da esposa; Sexológico: constatou que ela não estava grávida; Reconstituição: conhecido tecnicamente como reprodução simulada, ele apresentará por meio de fotos as versões que Geraldo e testemunhas deram para o que ocorreu. Ainda não ficou pronto. LEIA TAMBÉM: VÍDEO mostra policiais indo limpar apartamento depois de morte Caso da PM morta em São Paulo. Fantástico O tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, marido da policial militar Gisele Alves Santana. Reprodução/TV Globo

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