CPI Crime Organizado ouve fundador da Reag nesta terça; depoimento de ex-presidente do BC é incerto
2026-03-03 - 11:23
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado pretende ouvir, nesta terça-feira (3), o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. A presença dele, no entanto, é incerta após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, transformar, nesta segunda (2), a convocação em convite. Essa alteração retira a obrigatoriedade de comparecimento, isto é, torna facultativo, e garante o direito ao silêncio caso a pessoa decida comparecer. Por outro lado, está confirmado o depoimento de João Carlos Falbo Mansur, fundador do grupo Reag (leia mais abaixo). Veja os vídeos que estão em alta no g1 🔎A Reag entrou no radar da Polícia Federal por suspeita de envolvimento em operações de lavagem de dinheiro, incluindo a Operação Carbono Oculto, que apura esquema ligado ao setor de combustíveis com participação do PCC. Segundo as investigações, fundos administrados pela empresa teriam sido usados para movimentações atípicas (veja mais a seguir). As suspeitas levaram o Banco Central, em janeiro deste ano, a decretar a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, braço que fazia a gestão dos fundos da Reag Investimentos. O requerimento aprovado pelo colegiado para a convocação de Campos Neto é de autoria do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). O senador justificou que Campos Neto deve esclarecimentos de sua gestão à frente do BC diante dos indícios de possíveis falhas nos mecanismos de supervisão e controle do sistema financeiro revelados pelas operações Carbono Oculto e da Operação Compliance Zero. Essa última ligada às supostas fraudes do Banco Master. Investigações envolvendo a Reag Em setembro de 2025, a Reag foi alvo da Operação Carbono Oculto, considerada a maior já realizada no país contra o crime organizado. A suspeita é que fundos de investimentos administrados pela Reag foram utilizados para lavar dinheiro do PCC oriundo de fraudes no setor de combustíveis. À época, a Receita Federal identificou ao menos 40 fundos, parte deles geridos pela Reag, com patrimônio estimado em R$ 30 bilhões e controlados pela facção. Em meio aos avanços das investigações João Carlos Mansur, então presidente do conselho de administração, formalizou sua saída da holding. O executivo vendeu por o controle da Reag Investimentos por R$ 100 milhões para um grupo de executivos da própria empresa, através da Arandu Partners Holding S.A Envolvimento com o Banco Master Em janeiro deste ano, a Reag se viu envolvida na Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de fraudes financeiras do Banco Master. Na ocasião, João Carlos Mansur também foi alvo de mandados de busca e apreensão contra na segunda fase da operação. No dia seguinte, a CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, novo nome da Reag Trust DTVM, foi liqüidada pelo BC. A suspeita da PF é que Reag teria atuado ao lado do Master para estruturar e gerir fundos de investimentos para operações consideradas atípicas, como a movimentação de dinheiro para inflar resultados, esconder riscos e dar a imagem de solidez financeira ao Master. Na operação, o presidente do Master, Daniel Vorcaro, chegou a ficar preso por 11 dias e o banco foi liquidado pelo Banco Central. ➡️Esta reportagem está em atualização