Cozinhar em casa ao menos uma vez por semana pode reduzir risco de demência, afirma estudo com idosos
2026-03-28 - 07:10
Comida caseira ajuda a reduzir o risco de demência. Freepik Comida caseira sempre traz boas lembranças. O feijão da mãe que combina com qualquer prato. Aquela carne assada da avó que te leva direto para um domingo da infância. Um ritual passado entre gerações que, no fim, cria o hábito saudável de comer comida de verdade em casa. Isso porque, mais do que criar um laço afetivo, os preparos caseiros em geral costumam ser ricos em nutrientes, com pratos com carnes, legumes e grãos, por exemplo. E uma nova pesquisa mostrou que esses benefícios vão além: preparar uma refeição caseira pelo menos uma vez na semana pode reduzir o risco de demência. ➡️O estudo, publicado na revista científica "Journal of Epidemiology & Community Health", mostrou que, em pessoas mais velhas, essa redução pode ser de até 30%. Já entre os idosos iniciantes na cozinha, a diminuição no risco chega a 70%. VEJA TAMBÉM: Menos feijão, mais doenças Além de ser considerada uma importante atividade para se manter ativo fisicamente, cozinhar também é um estímulo cognitivo. Por isso, os pesquisadores quiseram investigar se a frequência de cozinhar em casa poderia estar associada à incidência de demência. De acordo com o grupo de pesquisa, até onde se sabe, esse é o primeiro estudo a demonstrar essa associação. "Esses achados são consistentes com estudos anteriores que mostram que atividades produtivas estão associadas a um menor risco de declínio cognitivo ou demência em idosos", destacam os pesquisadores na discussão do estudo. 👉Entre as principais hipóteses que poderiam explicar o resultado observado estão: Atividade física associada Cozinhar frequentemente envolve certa atividade física em processos como ir às compras e até no preparo dos alimentos. "Quando incluímos no modelo fatores como frequência de sair de casa, tempo em pé ou caminhando e se o participante fazia suas próprias compras, a associação entre cozinhar e demência diminuiu", detalha a pesquisa. Isso sugere que parte do benefício pode estar ligado ao movimento físico envolvido nessas tarefas. Estímulo cognitivo Os benefícios de cozinhar em casa foram potencializados entre pessoas com pouca habilidade culinária. De acordo com os pesquisadores, a principal explicação para isso é que, nesses casos, cozinhar representa uma atividade mais nova e cognitivamente estimulante – em comparação a pessoas que já cozinham com mais frequência. "Atividades novas e produtivas, como escrever, já foram associadas ao fortalecimento da reserva cognitiva", analisam os pesquisadores. LEIA TAMBÉM: Terapia hormonal na menopausa não altera risco de demência, aponta análise com mais de 1 milhão de participantes Ultraprocessados podem afetar desenvolvimento do embrião e reduzir fertilidade em homens, mostra estudo Análise em pessoas idosas Com o objetivo de entender a possível relação entre cozinhar em casa e o desenvolvimento de demência, os pesquisadores analisaram dados de quase 11 mil participantes com pelo menos 65 anos do Japan Gerontological Evaluation Study. Os integrantes responderam a questionários sobre a frequência com que preparavam refeições do zero em casa, além do nível de competência culinária. 📈Cerca de metade cozinhava pelo menos cinco vezes por semana, enquanto um quarto não cozinhava. A análise mostrou que cozinhar pelo menos uma vez por semana foi associado a um risco 23% menor de demência em homens e 27% menor em mulheres, em comparação a não cozinhar. Entre aquelas com poucas habilidades culinárias, a porcentagem de redução chegou a 67%. Cozinhar e o combate à demência Ainda que o estudo tenha limitações, os pesquisadores são otimistas em afirmar que os resultados mostram que criar condições para que idosos possam cozinhar pode ser uma estratégia importante na prevenção da demência. Eles ressaltam que, por se tratar de um estudo observacional, não é possível estabelecer uma relação de causa e efeito, somente uma associação. Além disso, casos leves de demência podem não ter sido incluídos e a classificação das habilidades pode não ser precisa o suficiente para diferenciar quem cozinha por falta de interesse e quem não consegue cozinhar. Segundo os pesquisadores, são necessários mais estudos para entender melhor quais mecanismos estão envolvidos no ato de cozinhar são responsáveis pela redução do risco de demência.