Corretora desaparecida: síndico do prédio responde a 12 processos envolvendo a mulher, diz família
2026-01-26 - 12:29
Corretora de imóveis Daiane Alves desaparecida em Caldas Novas no prédio em mora. Arquivo Pessoa/Fernanda Alves e Reprodução TV Anhanguera O síndico Cleber Rosa de Oliveira, que administra o prédio onde desapareceu a corretora de imóveis Daiane Alves de Souza, de 43 anos, em Caldas Novas, no sul de Goiás, responde a 12 processos envolvendo a mulher, segundo a família. São processos são cíveis e criminais, sendo que 11 estão em andamento na Justiça e um arquivado com sentença favorável à Daiane. No processo mais recente, em 19 de janeiro, 39 dias após o desaparecimento da corretora, o Ministério Público de Goiás (MP-GO) denunciou Cleber pelo crime de perseguição (stalking), com agravante de abuso de função, uma vez que ele é síndico do local onde ela reside. Vídeo mostra corretora chamando a Equatorial para relatar cortes de energia antes de sumir Em outro processo considerado importante pela família, há uma ação penal por lesão corporal, de maio de 2025, na qual Cleber é acusado de ter dado uma cotovelada em Daiane quando ela o confrontava sobre um desligamento no fornecimento de energia. O g1 fez contato com a defesa de Cleber, mas não obteve resposta sobre o posicionamento do síndico até o fechamento desta matéria. Daiane desapareceu na noite de 17 de dezembro, quando desceu até o subsolo do Edifício Ametista Tower, localizado dentro do Residencial Golden Thermas, onde morava e administrava seis imóveis da família. A filha, uma adolescente de 17 anos, mora com a corretora, mas não estava no prédio no dia do desaparecimento. Sensação de justiça A mãe da corretora, Nilze Alves, de 61 anos, falou ao g1 sobre a denúncia do MP. Segundo ela, o novo processo não soluciona o desaparecimento da filha, mas traz à família uma sensação de “justiça sendo feita”, já que Daiane teria sido perseguida por cerca de um ano. “É um alívio. Uma sensação de justiça sendo feita. Eu sinto muito que ela [Daiane] não esteja aqui para saber. Infelizmente, se não tivesse acontecido essa tragédia do desaparecimento, poucas pessoas saberiam o que estamos passando”, disse. ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp De acordo com Nilze, o síndico perseguia a filha reiteradas vezes, tanto pessoalmente quanto em grupos de WhatsApp. Assembleia Fernanda Alves, irmã da corretora, disse que a assembleia convocada por Cleber para expulsar Daiane do prédio foi irregular e confirmou a perseguição do síndico. Ao g1, Fernanda contou que Daiane não tinha problemas com vizinhos, apenas com Cleber. Mesmo assim, afirmou que a maioria dos votos foi favorável à “expulsão”. “Pessoas que estavam na reunião votaram contra a ‘expulsão’, mas o síndico declarou que faria de tudo para impedir que ela trabalhasse no prédio”, relatou. O advogado da família, Plínio César Cunha Mendonça, afirmou estar acompanhando todas as linhas de investigações que estão em curso, porém em sigilo, aguardando, inclusive, os resultados dos laudos periciais realizados no condomínio e demais objetos apreendidos. Desaparecimento A irmã de Daiane disse que a família acredita que ela foi raptada por alguém que conhecia seus hábitos e as dependências do prédio, mas ressaltou que não pode apontar suspeitos, pois as investigações seguem em andamento. “A captura da Daiane foi muito bem elaborada. A pessoa sabia que ela estava sozinha, conhecia os pontos cegos e conhecia bem o prédio. Sabia em qual apartamento ela estava e desligou especificamente o padrão de energia. Ela foi até o quadro para ligar”, explicou. Porta ficou aberta, mas foi encontrada fechada Nilze contou ainda que a filha deixou a porta do apartamento aberta na noite em que desceu ao subsolo para verificar a queda de energia, mas a porta já estava trancada quando ela chegou ao local. Segundo a mãe, vídeos enviados pela corretora a uma amiga mostram Daiane entrando no elevador e deixando a porta aberta, o que indica que pretendia voltar rapidamente. O caso aconteceu em 17 de dezembro de 2025. Daiane foi vista entrando no elevador, passando pela portaria para falar com o recepcionista, retornando em seguida ao elevador e descendo para o subsolo. De acordo com a família, não há imagens dela saindo do prédio nem voltando ao apartamento. Novo vídeo mostra Equatorial acompanhando a corretora Um vídeo divulgado pela família mostra a corretora acompanhada por equipes da concessionária de energia Equatorial. Na gravação, enviada ao g1 pela mãe, Nilse Alves Pontes, de 61 anos, Daiane relata cortes de energia no apartamento antes do desaparecimento. Segundo Nilse Alves, o episódio ocorreu em 4 de junho do ano passado, em um dos seis apartamentos que a família possui no prédio. “Não posso afirmar que foi o síndico quem tirou o cabo”, disse Nilse à repórter Letícia Fiuza.