COP15: Como animais do Pantanal ajudam a frear mudanças climáticas
2026-03-24 - 00:50
Diário COP15: como animais do Pantanal ajudam a frear mudanças climáticas Representantes de mais de 130 países discutem, nesta semana, em Campo Grande, estratégias para proteger espécies migratórias e combater as mudanças climáticas durante a 15a Conferência das Partes da Convenção sobre Espécies Migratórias (COP15). Especialistas ouvidos pelo g1 explicam que o Pantanal, um dos principais destinos dessas espécies, tem papel estratégico no equilíbrio do clima global. Veja o vídeo acima. Segundo ambientalistas e pesquisadores, preservar animais e garantir rotas migratórias seguras não evita apenas a extinção de espécies. A medida também ajuda a manter o funcionamento dos ecossistemas e a reduzir impactos das mudanças climáticas. O que é a COP15 e por que o Pantanal está no centro das discussões Debate sobre ações de conservação das rotas de animais migratórios na COP15. Thais Libni A Conferência das Partes da Convenção sobre Espécies Migratórias (CMS) reúne governos, cientistas e organizações internacionais para discutir políticas de conservação da fauna em escala global. Para o presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Rodrigo Agostinho, o Brasil tem papel central nesse debate, principalmente por causa da diversidade de espécies que passam pelo país. “O Brasil é um dos países que tem o maior número de espécies de aves do mundo. Nós temos 1.979 espécies. Pelo menos 230 migram, saem do inverno rigoroso lá no Hemisfério Norte, vêm para a Amazônia, vêm para o Pantanal, descem até o Rio Grande do Sul. E essas espécies exercem um papel importantíssimo no controle de insetos e na polinização.” Ele destaca que o Pantanal é um dos ambientes mais importantes do planeta para a preservação da vida selvagem. “É muito representativo que esse evento seja no Pantanal, que é um local dos mais relevantes do mundo para a preservação das espécies migratórias.” Animais migratórios ajudam a manter o equilíbrio do clima Durante os painéis, especialistas reforçaram que as espécies migratórias não são apenas afetadas pelas mudanças climáticas elas também ajudam a combatê-las. O ambientalista e diretor do Instituto Conservação Brasil, Nondas Okiama, explica que garantir rotas seguras para esses animais é essencial para manter o equilíbrio ambiental. “Se a gente conseguir garantir que essas espécies consigam fazer essa rota de migração de forma segura, elas não contribuem somente para a saúde do Pantanal, mas também para a saúde do planeta como um todo.” Onça-pintada e outras espécies são aliadas do clima Entenda o que pode levar a onça-pintada à extinção leandrorezende / iNaturalist No coração do Pantanal, animais conhecidos do público também têm papel importante no equilíbrio ambiental. O médico veterinário Diego Viana explica que espécies como a onça-pintada ajudam a manter o funcionamento natural do ecossistema. “A onça-pintada, como um predador do topo da cadeia alimentar, equilibra tudo: a fauna e também a flora. A presença da onça é um indicador de qualidade ambiental.” Segundo ele, proteger esses animais beneficia não apenas a fauna, mas também a qualidade de vida das pessoas. “A conservação de onças que acontece no Pantanal já é um exemplo para o mundo inteiro.” Plantas e animais trabalham juntos para capturar carbono Além dos animais, a vegetação pantaneira também exerce papel fundamental no combate às mudanças climáticas. De acordo com o veterinário Diego Viana, manter a vegetação intacta é essencial para reduzir a quantidade de carbono na atmosfera. “As árvores têm um papel fundamental, mas o que a gente está vendo cada vez mais é que a pastagem pantaneira também sequestra carbono. Quanto mais carbono sequestrado, menos carbono na atmosfera e um planeta mais habitável a gente vai ter.” Outro exemplo citado pelos especialistas são as antas, consideradas verdadeiras aliadas das florestas. O biólogo e diretor de comunicação da SOS Pantanal, Gustavo Figueirôa, explica o papel desses animais. “As antas são as jardineiras das florestas. Elas comem sementes e dispersam essas sementes pelas fezes longe, literalmente plantando florestas. Isso ajuda a sequestrar carbono e mostra como a relação entre árvores e animais está ligada no combate às mudanças climáticas.” Preservar rotas migratórias é um desafio internacional As discussões da COP15 também destacam que proteger as rotas migratórias exige cooperação entre países. Isso porque muitos animais atravessam fronteiras durante suas viagens, o que torna necessária a criação de políticas internacionais alinhadas. Segundo Nondas Okiama, essa colaboração é essencial. “As espécies que migram não estão limitadas às barreiras geopolíticas. Então, garantir essas rotas seguras depende de acordos entre países.” Pantanal pode ser exemplo global no combate às mudanças climáticas Especialistas destacam que a conservação do Pantanal já serve como modelo para outras regiões do mundo. Isso ocorre porque o bioma abriga uma das maiores biodiversidades do planeta e recebe espécies migratórias vindas de diferentes regiões. Para Rodrigo Agostinho, preservar esses animais é uma responsabilidade coletiva. “As espécies que vivem no planeta além da gente têm um direito especial de continuar existindo. Seja um grande predador como a onça-pintada ou uma pequena andorinha, todos são importantes na manutenção do nosso equilíbrio.” Vida selvagem pode ser uma das soluções para a crise climática Durante os debates da COP15, especialistas reforçaram que a conservação da fauna deve ser vista como parte das soluções climáticas, e não apenas como proteção ambiental. A ideia central discutida no evento é que a vida selvagem funciona como uma espécie de infraestrutura natural, capaz de regular o clima, transportar nutrientes e manter os ecossistemas saudáveis. Para os pesquisadores, proteger os animais migratórios é proteger também o futuro do planeta e o Pantanal tem papel decisivo nessa missão. Veja vídeos de Mato Grosso do Sul: