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Confusão em UPA termina com médico detido por guardas municipais no RS

2026-03-27 - 16:10

UPA Centro, em Novo Hamburgo Prefeitura de Novo Hamburgo/Arquivo Enquanto dezenas de pacientes aguardavam atendimento em uma Unidade de Pronto Atendimento de Novo Hamburgo, na Região Metropolitana de Porto Alegre, uma confusão foi registrada na noite desta quinta-feira (26). Vídeos que circulam nas redes sociais mostram o momento em que um médico é detido pela Guarda Municipal. Entidades médicas se manifestaram. Para o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), a ação foi desproporcional. O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) classificou como "inaceitável episódio de violência". 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp A Polícia Civil investiga o caso. Segundo o delegado Tarcísio Lobato Kaltbach será aberto um "termo circunstanciado para instruir os procedimentos de lesão corporal e desacato". O homem foi encaminhado à delegacia, onde foi ouvido e liberado. Conforme testemunhas, o caso aconteceu por volta das 21h30 de quinta-feira na UPA do Centro de Novo Hamburgo. A confusão teria se iniciado após reclamações de demora no atendimento. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Um dos funcionários da unidade de saúde teria pedido ajuda ao guarda que faz a segurança da UPA e que estaria jantando, mas ele teria se negado a retornar ao posto de trabalho. Na sequência, o médico detido teria ido falar com o agente e ambos discutiram. O guarda teria alegado desacato. Em seguida, segundo a polícia, o guarda prendeu o médico, sob protestos dos funcionários e dos pacientes. Outros dois agentes também chegaram na UPA. Nas imagens, é possível ouvir pessoas pedirem que os guardas soltem o médico, que foi contido no chão. O vídeo chega a mostrar um dos agentes sentado sobre as costas do homem, que pede para ser solto. "Para, velho, está me machucando." Em nota, a Prefeitura de Novo Hamburgo afirma que "a Guarda Municipal está analisando as imagens das câmeras corporais utilizadas pelos seus agentes para apurar os fatos". As secretarias municipais da Saúde e Segurança Pública e a Fundação de Saúde Pública (FSNH) devem se reunir para discutir o caso. O Cremers se manifestou nesta sexta-feira (27) e alega que "o médico no pleno exercício da profissão foi brutalmente algemado e conduzido à Delegacia por agentes da Guarda Municipal que agiram com claro abuso de autoridade". O conselho pede que o caso seja apurado e afirma que apresentou representação ao Ministério Público do Estado. O Simers também se manifestou: "Vídeos e testemunhas mostram o momento da prisão, quando o profissional foi colocado no chão e algemado de forma brusca por dois guardas. Um terceiro homem estava presente na detenção, provocando revolta entre os presentes e demonstrando um claro abuso de poder." O sindicato diz que vai pedir esclarecimentos dos fatos e cobrar uma apuração imparcial tanto da Guarda Municipal quanto da Polícia Civil. "A própria população sofreu com a conduta, aumentando a tensão na Unidade de Pronto Atendimento." O que diz a Prefeitura de Novo Hamburgo "A Guarda Municipal está analisando as imagens das câmeras corporais utilizadas pelos seus agentes para apurar os fatos. As secretarias municipais da Saúde e Segurança Pública, em conjunto com a Fundação de Saúde Pública de Novo Hamburgo, devem se reunir para discutir sobre o ocorrido." O que diz a Fundação de Saúde Pública de Novo Hamburgo (FSNH) "A Fundação de Saúde Pública de Novo Hamburgo (FSNH) informa que está acompanhando os fatos relacionados ao episódio envolvendo um médico detido durante o plantão na UPA Centro, por agentes da Guarda Municipal. Desde a ciência do ocorrido, a FSNH adotou as providências iniciais cabíveis, prestando o suporte necessário ao profissional e assegurando o acompanhamento do caso por sua assessoria jurídica. A FSNH manifesta solidariedade ao profissional, ressaltando a importância da preservação da dignidade e das prerrogativas inerentes ao exercício da atividade médica. A instituição reafirma seu compromisso com a transparência e legalidade, informando que aguarda a apuração completa dos fatos pelas autoridades competentes, colocando-se à disposição para colaborar com as investigações. Por fim, a FSNH informa que deverá reunir-se com representantes da Secretarias Municipais de Saúde e de Segurança Pública, com o objetivo de analisar o ocorrido e discutir a adoção de medidas eventualmente cabíveis." O que diz o Cremers "A Medicina e os médicos não podem ser agredidos O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) manifesta o veemente repúdio ao inaceitável episódio de violência ocorrido na noite de quinta-feira (26), na UPA Centro, em Novo Hamburgo, onde um médico no pleno exercício da profissão foi brutalmente algemado e conduzido à Delegacia por agentes da Guarda Municipal que agiram com claro abuso de autoridade. A Medicina e os médicos não podem ser agredidos. É absolutamente inadmissível que o médico, dedicado ao atendimento das pessoas daquela comunidade, seja humilhado e tratado como criminoso em seu próprio ambiente de trabalho. O sucateamento das unidades de pronto atendimento, a superlotação e a falta de segurança e de infraestrutura não podem, sob hipótese nenhuma, ter sua responsabilidade transferida para as costas de quem está na linha de frente. Os pacientes presentes na UPA, testemunhas do abuso, pediam pela libertação do médico, reconhecendo a injustiça cometida. O Cremers exige da Prefeitura de Novo Hamburgo, da Secretaria Municipal de Segurança Pública e das autoridades competentes uma apuração rigorosa, célere e transparente dos gravíssimos excessos cometidos pela Guarda Municipal, que agiu de forma abusiva e arbitrária, causando desassistência e risco aos pacientes. O Conselho já está acompanhando o caso, apresentou representação ao Ministério Público do Estado e vai utilizar todo o peso da instituição para coibir toda forma de violência e punir os responsáveis. Garantir a segurança e a dignidade do médico é requisito fundamental para assegurar o direito à saúde da população. Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers)" O que diz o Simers "Simers repudia ação desproporcional da Guarda Municipal e presta atendimento a médico detido em UPA de Novo Hamburgo O Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) está acompanhando o médico que recebeu voz de prisão pela Guarda Municipal na noite de quinta-feira, dia 26, durante o horário de atendimento na UPA Centro, em Novo Hamburgo. Vídeos e testemunhas mostram o momento da prisão, quando o profissional foi colocado no chão e algemado de forma brusca por dois guardas. Um terceiro homem estava presente na detenção, provocando revolta entre os presentes e demonstrando um claro abuso de poder. A partir de agora, o Sindicato passa a atuar para requerer mais esclarecimentos dos fatos e cobrar uma apuração imparcial tanto da Guarda Municipal quanto da Polícia Civil. Todo o suporte judicial também será prestado. A violência contra médicos é uma das pautas mais intensas do Simers, com inúmeros relatos de problemas ocorridos durante o atendimento. Chama ainda mais a atenção quando um episódio envolve forças de segurança e é marcado por brutalidade e falta de diálogo. Somado ao fato, vale destacar que a própria população sofreu com a conduta, aumentando a tensão na Unidade de Pronto Atendimento. O Simers seguirá em defesa do médico, da categoria e do melhor atendimento para os pacientes." VÍDEOS: Tudo sobre o RS

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