Caso Henry Borel: ocorrência da morte, laudo, versões opostas e pena de até 50 anos; entenda o que está em jogo no julgamento
2026-03-23 - 12:40
Julgamento Henry Borel O Tribunal do Júri começa a julgar, nesta semana, um dos casos mais emblemáticos da história recente da Justiça brasileira: a morte de Henry Borel, de 4 anos, ocorrida em março de 2021, em um apartamento de luxo na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. No banco dos réus estão o ex-vereador Jairo de Souza Santos Júnior, conhecido como doutor Jairinho, e a mãe da criança, Monique Medeiros. Mais do que definir culpados ou inocentes, o julgamento coloca em disputa versões opostas sobre o que aconteceu dentro daquele apartamento e sobre o papel de cada acusado na sequência de violências que, segundo o Ministério Público, culminaram na morte da criança. LEIA TAMBÉM: Caso Henry Borel: disputa de versões deve marcar julgamento dos acusados pela morte do menino; Fantástico mostra bastidores O que os jurados vão decidir Sete jurados, escolhidos por sorteio, serão responsáveis por responder às perguntas centrais do processo: se Henry morreu em decorrência de agressões, se essas agressões configuram tortura e homicídio qualificado e se Monique, mesmo sem ter desferido golpes, teve responsabilidade por omissão. Para a acusação, não há dúvidas. O Ministério Público sustenta que Henry foi vítima de uma rotina de violência, praticada por Jairinho, com o conhecimento da mãe. Os promotores afirmam que a criança sofreu tortura ao longo de semanas e que, na noite da morte, foi submetida a uma agressão contundente, incompatível com qualquer hipótese de acidente. Já as defesas tentam desmontar essa narrativa. Os advogados de Jairinho afirmam que a investigação ignorou a possibilidade de que as lesões tenham ocorrido antes de o menino chegar ao apartamento, enquanto estava com o pai. Também questionam a perícia e alegam interferências indevidas nos laudos do Instituto Médico Legal (IML). Laudos e versões opostas O laudo do IML é uma das principais peças do processo. Segundo os peritos, Henry morreu em decorrência de hemorragia interna provocada por laceração do fígado, resultado de uma ação violenta. Exames complementares identificaram 23 lesões espalhadas pelo corpo, incluindo cabeça, rins e pulmões. Para a acusação, esse conjunto de provas científicas afasta qualquer possibilidade de queda acidental, como sustentaram inicialmente Monique e Jairinho em depoimentos semelhantes à polícia. Telefones apreendidos, mensagens e análises técnicas, segundo os investigadores, desmontaram a versão de que a criança teria caído da cama. A defesa de Jairinho, no entanto, afirma que os laudos foram alterados ao longo do processo e que novas informações extraídas de celulares podem lançar dúvidas sobre a linha do tempo adotada pela polícia. O papel da mãe Outro ponto-chave do julgamento é a conduta de Monique Medeiros. O Ministério Público afirma que ela sabia das agressões, foi alertada por pessoas próximas e, mesmo assim, deixou o filho exposto à violência, o que caracterizaria homicídio por omissão. A defesa de Monique apresenta uma estratégia diferente: sustenta que ela foi vítima de um relacionamento abusivo, marcado por manipulação psicológica, e que só conseguiu compreender a dimensão do que acontecia após ser presa e ter acesso às provas do processo. Diante do júri, Monique deve afirmar que Jairinho foi o responsável direto pela morte do filho. Os réus: o ex-vereador Dr. Jairinho, padrasto do garoto, e a mãe, Monique Medeiros. Reprodução/TV Globo Penas e impacto do julgamento Se condenados, Jairinho e Monique podem pegar penas superiores a 50 anos de prisão cada. Ele responde por homicídio qualificado por meio cruel, por três episódios de tortura e por coação de testemunha. Ela é acusada de homicídio por omissão, duas torturas e coação. O julgamento deve durar entre cinco e dez dias. Durante todo o período, os jurados permanecerão isolados, sem acesso a celular, internet ou televisão, medida que busca garantir a imparcialidade da decisão. Para além do desfecho jurídico, o caso de Henry Borel se tornou um símbolo nacional do combate à violência contra crianças. Nas ruas do Rio, outdoors pedem justiça. Henry morreu em 2021 após agressões. Suspeitos enfrentam júri popular. Reprodução/TV Globo Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo.