Bad Bunny x Trump: como o show do intervalo do Super Bowl virou uma tensão política
2026-02-09 - 11:45
Trump classifica como "terrível" show de Bad Bunny no Super Bowl Bad Bunny, o astro latino e o artista mais escutado no mundo hoje, foi a atração do show do intervalo do Super Bowl, um dos maiores palcos do entretenimento do planeta. Porém, o show se tornou também uma questão política nos Estados Unidos. O embate ultrapassa a música e expõe temas como a política anti-imigração de Donald Trump e o orgulho da identidade latino-americana, que é um dos principais temas do álbum ‘Debí Tirar Más Fotos’, o mais recente e premiado lançado pelo cantor porto-riquenho. O anúncio do Bad Bunny como atração principal foi feito no dia 28 de setembro de 2025 e provocou uma reação imediata de Trump. Em entrevistas e declarações públicas, o presidente americano afirmou que a escolha era “absolutamente ridícula”, disse ainda que nunca tinha ouvido falar no cantor e acusou o artista de “espalhar ódio” nas mensagens que passa. As falas repercutiram amplamente nas redes sociais e na imprensa. O assunto ganhou destaque porque Bad Bunny é, na verdade, um astro da música e é muito conhecido por sua posição política de valorização da América Latina e por falas contra a política anti-imigração do governo de Trump. Aliás, o cantor já se manifestou publicamente contra o ICE, os agentes federais do Serviço de Imigração e Fiscalização. Em um dos discursos no Grammy, onde ele ganhou 3 prêmios, chegou a dizer no palco: ‘Fora, Ice’. Ainda na sequência do anúncio no Super Bowl, um assessor da Casa Branca chegou a ameaçar o envio dos agentes federais de imigração para o estádio na Califórnia onde vai ocorrer a partida. Isso nunca aconteceu na história dos EUA. A declaração foi interpretada como uma tentativa de intimidação ao enorme público latino do Bad Bunny e a possível presença deles no evento. Ao mesmo tempo, aliados de Trump também começaram a atacar o fato do show ser majoritariamente em espanhol, levantando questionamento sobre a identidade nacional e uma verdadeira “cultura americana”. Vale lembrar que o Bad Bunny é um artista que faz questão de cantar e até mesmo dar entrevistas em espanhol. É um posicionamento político do artista também à medida que ele tira a língua inglesa da centralidade e coloca o espanhol, idioma falado na maior parte da América Latina. ‘Gracias, mami, por parirme aquí’ Benito Antonio Ocásio Martínez é o nome real da figura por trás do Bad Bunny. Ele é natural de Porto Rico, uma pequena ilha no Caribe que, desde o século 19, pertence aos Estados Unidos. Isso quer dizer que as pessoas que nascem no território têm a cidadania americana, mas não o status político. Ou seja, os porto-riquenhos não têm direito de votar nas eleições americanas, incluindo para presidente ou deputados. Porém, é o Congresso americano que manda na ilha: controla as forças armadas e inclusive as relações de comércio que Porto Rico tem com o mundo todo. No mais recente álbum, Bad Bunny traz músicas que criticam esse status da ilha e fala dos protestos e da luta por autonomia, como na canção ‘Lo que le pasó a Hawaii’. Para especialistas, o embate entre Trump e Benito simboliza um choque de futuro: de um lado, um presidente nacionalista que defende uma identidade americana homogênea e, do outro, um artista que fala da valorização da cultura latina e das próprias raízes - inclusive das pessoas que precisam deixar a terra natal para buscar melhores oportunidades e que, por isso, merecem respeito e dignidade. O Super Bowl se aproxima e a expectativa é que tenha uma das maiores audiências da final do futebol americano, justamente por causa do show do Bad Bunny e do embate com o presidente Donald Trump. Afinal, o show será muito mais do que apenas músicas e promete uma carga política forte em meio ao aumento das tensões nos Estados Unidos com a questão de imigração.