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Artista de Roraima recebe prêmio nacional por obra dedicada a Davi Kopenawa: 'Valorizar minha região'

2026-03-05 - 14:53

Artista roraimense e imortal mais jovem da Academia de Arte recebe prêmio nacional por obra dedicada a Davi Kopenawa A artista plástica roraimense Alícia Bianca, de 19 anos, recebeu um prêmio nacional por uma obra dedicada e inspirada em Davi Kopenawa, xamã e um dos maiores líderes indígenas do país. Ela também é a imortal mais jovem da Academia de Literatura, Arte e Cultura da Amazônia (Alaca), com sede em Manaus. A obra premiada é um quadro pintado à mão, intitulada "A Ferida de Kopenawa" e está entre as 19 produções selecionadas no concurso "Arte, Amazônia e seus Povos: A Amazônia é agora! A Amazônia somos nós!". Como reconhecimento, Alícia vai receber R$ 2 mil. "Queria valorizar a minha região, porque ela é a minha principal fonte de inspiração", afirma Alícia. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp Promovido pela Artigo 19, uma organização internacional de direitos humanos, o concurso selecionou produções ilustração, charge, cartum e fotografia. O resultado foi divulgado no dia 16 de fevereiro. 'Resistência amazônica' é um “profundo manifesto visual sobre a resistência amazônica e os impactos ambientais no território Yanomami”. Arquivo Alícia conta que o quadro retrata a principal liderança indígena do povo Yanomami com um "profundo manifesto visual sobre a resistência amazônica e os impactos ambientais no território Yanomami". Além disso, representa, por meio de Kopenawa, a luta dos povos originários. 📍 Maior território indígena do Brasil, a Terra Yanomami tem quase 10 milhões de hectares entre os estados do Amazonas e Roraima. A região vive invasões de garimpeiros há décadas e, nos últimos três anos, enfrenta os reflexos da atividade ilegal na saúde, na segurança, no modo de vida e no meio ambiente. "O coração em chamas representa as queimadas, a fumaça nas terras indígenas. Ele está com o olho lacrimejando, simbolizando a dor. Os traços no rosto dele são pinturas com urucum”, explicou. A obra foi produzida a partir de técnica mista, com lápis de cor e marcador artístico — recursos que a artista desenvolveu por meio da experimentação, processo que envolve a exploração de novas técnicas, materiais, ideias e formas de expressão. "O objetivo foi provocar uma reflexão sobre os desafios climáticos em diálogo com a COP 30, colocando o sofrimento dos povos originários no centro do debate global", afirmou. Um prêmio para cada ano de vida Alícia é artista autodidata e começou a desenhar aos 12 anos. Atualmente, cursa Arquitetura e Urbanismo na Universidade Federal de Roraima (UFRR) e ocupa a cadeira no 329 da Alaca. "Comecei com um caderno de caligrafia que minha avó me deu para treinar a letra. No verso das folhas, fazia desenhos”, relembrou. Em sete anos dedicados à arte, Alícia recebeu 19 premiações regionais, nacionais e internacionais. É, de forma simbólica, um prêmio para cada ano de vida. Entre os prêmios internacionais, ela venceu em 1o lugar no concurso internacional da Fédération Internationale des Véhicules Anciens (Fiva), uma competição voltada a veículos históricos, em Torino, na Itália. Também ficou em 5o lugar no concurso de ilustração A(R)RISCAR’21, em Portugal. Para ela, as conquistas não são apenas troféus na estante, mas "lembretes de que a arte produzida no extremo Norte do Brasil tem potência, tem voz e consegue dialogar com o mundo". “Sinto que a juventude me dá uma liberdade de experimentação muito grande. Não tenho medo de errar, porque ainda estou descobrindo muitas camadas da minha própria arte. Por outro lado, ser reconhecida tão cedo me faz querer honrar cada vez mais o meu lugar de fala e a minha região”, destacou. Alícia busca retratar Roraima em todos os trabalhos que produz. Desde que começou, criou cerca de 600 obras, muitas delas em homenagem a personalidades e elementos culturais do estado. As artes da jovem já ilustraram edições do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) em Roraima, além de livros de ficção e materiais editoriais. "Queria valorizar a minha região, porque ela é a minha principal fonte de inspiração. Quando viajo pelos lavrados de Roraima e vejo os buritizais, isso me inspira. É isso que quero mostrar por meio da arte”, concluiu. Davi Kopenawa Nascido por volta de 1955 (a data é incerta), Kopenawa é xamã e porta-voz dos Yanomami, povo ameaçado, principalmente, pela exploração ilegal do garimpo de ouro - atividade que se intensificou nos últimos anos e ameaça o povo que vive isolado geograficamente em Roraima e Amazonas. Há mais de 30 anos, ele viaja pelo mundo em atos que defendem os direitos dos povos indígenas. Recebeu o apelido de "Dalai Lama da Floresta Tropical" e foi chave para o reconhecimento oficial do território Yanomami na Amazônia em 1992, depois de quase dez anos de luta. Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.

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