Arrecadação federal soma R$ 222 bilhões em fevereiro, com alta de 5,7% e bate recorde para o mês
2026-03-24 - 14:10
Arrecadação bate recorde para meses de fevereiro Marcello Casal Jr/Agência Brasil A arrecadação do governo federal com impostos, contribuições e demais receitas somou R$ 222,1 bilhões em fevereiro deste ano, informou nesta terça-feira (24) a Receita Federal. O resultado representa um aumento real de 5,7% na comparação com o mesmo mês do ano passado, quando a arrecadação somou R$ 210,2 bilhões (valor corrigido pela inflação). O valor também foi o maior já registrada para meses de fevereiro desde o início da série histórica da Receita Federal em 1995 — ou seja, em 32 anos. ▶️Segundo a Receita Federal, o pode ser explicado, principalmente, pelo crescimento da arrecadação da contribuição previdenciária e pelos desempenhos das arrecadações do PIS/Cofins, do IRRF-Capital e do IOF (tributo que teve aumento no ano passado). ▶️O recorde na arrecadação está relacionado com o crescimento da economia brasileira e, também, e com os aumentos de impostos anunciados nos últimos anos pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Relembre alguns aumentos de impostos: alta na tributação de fundos exclusivos (alta renda) e das "offshores" (exterior); mudanças na tributação de incentivos (subvenções) concedidos por estados; aumento de impostos sobre combustíveis feito em 2023 e mantido desde então; Imposto sobre encomendas internacionais (taxa das blusinhas); Reoneração gradual da folha de pagamentos; Fim de benefícios para o setor de eventos (Perse); Início da taxação das bets; Aumento do IOF sobre crédito e câmbio; Alta na tributação dos juros sobre capital próprio. Primeiro bimestre Nos dois primeiros meses deste ano, ainda segundo dados oficiais, a arrecadação federal somou R$ 547,9 bilhões — sem a correção pela inflação. Em valores corrigidos pela variação dos preços, a arrecadação totalizou R$ 550,2 bilhões no primeiro bimestre, o que representa um crescimento real (acima da inflação) de 4,41% em relação ao mesmo período do ano passado, quando somou R$ 526,9 bilhões. O montante também é o recorde histórico para a arrecadação federal no período. Meta fiscal em 2026 Assim como nos últimos anos, o governo espera contar com o aumento da arrecadação para tentar atingir a meta para as suas contas em 2026. Para este ano, a meta é de que as contas do governo tenham um saldo positivo de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), cerca de R$ 34,3 bilhões. De acordo com o arcabouço fiscal, aprovado em 2023, há um intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual em relação à meta central. Ou seja: a meta será considerada formalmente cumprida se o governo tiver saldo zero, ou se chegar a um superávit de R$ 68,6 bilhões. O texto, no entanto, permite que o governo retire desse cálculo R$ 57,8 bilhões em despesas. E use esses recursos para pagar, por exemplo, precatórios (gastos com sentenças judiciais). Na prática, portanto, a previsão é de que o governo tenha um rombo de R$ 23,3 bilhões nos cofres públicos em 2026 – mesmo que, para o cálculo oficial da meta, apresente um resultado positivo. Se os números se confirmarem, as contas do governo devem ficar negativas durante todo o terceiro mandato do presidente Lula.