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Apenas um em cada quatro americanos apoia ataques dos EUA ao Irã, aponta pesquisa Reuters/Ipsos

2026-03-02 - 18:43

Apenas um em cada quatro americanos aprova os ataques dos EUA ao Irã, que mergulharam o Oriente Médio no caos, enquanto cerca de metade — incluindo um em cada quatro republicanos — acredita que o presidente Donald Trump está inclinado demais a usar a força militar, de acordo com uma pesquisa Reuters/Ipsos. Cerca de 27% dos entrevistados disseram aprovar os ataques, realizados em conjunto com ofensivas israelenses contra o Irã, enquanto 43% desaprovaram e 29% não souberam responder. Cerca de nove em cada dez entrevistados disseram ter ouvido falar, pelo menos um pouco, sobre os ataques, que começaram na madrugada de sábado com um ataque surpresa que matou o líder do Irã. A pesquisa, encerrada no domingo, mostrou que 56% dos americanos acham que Trump — que também ordenou ataques na Venezuela, Síria e Nigéria nos últimos meses — está excessivamente disposto a usar a força militar para promover os interesses dos EUA. A maioria dos democratas (87%) compartilha dessa visão, assim como 23% dos republicanos e 60% das pessoas que não se identificam com nenhum dos dois partidos políticos. Trump fala sobre o Irã, 2 de março de 2026. JIM WATSON / AFP O levantamento foi realizado em meio aos ataques contínuos ao Irã pelos EUA e Israel, e foi concluído antes de os militares americanos anunciarem as primeiras baixas na operação. Quatro militares dos EUA foram mortos durante a campanha, o que provocou ataques retaliatórios de mísseis e drones pelo Irã contra Israel e instalações militares americanas em toda a região. Três jatos dos EUA foram derrubados durante missões de combate; os militares americanos afirmaram que os incidentes ocorreram após as aeronaves serem atingidas por engano pelas defesas aéreas do Kuwait. Preocupação com as tropas Embora 55% dos republicanos tenham dito aprovar os ataques e 13% desaprovar, a pesquisa Reuters/Ipsos revelou que 42% dentro do partido de Trump disseram que estariam menos propensos a apoiar a campanha no Irã se ela resultasse em "tropas dos EUA sendo mortas ou feridas no Oriente Médio". O índice de aprovação presidencial de Trump caiu ligeiramente para 39%, um ponto percentual abaixo da pesquisa Reuters/Ipsos realizada entre 18 e 23 de fevereiro. Os ataques ao Irã começaram três dias antes das primeiras primárias das eleições de meio de mandato nos EUA, que determinarão se os republicanos de Trump manterão suas maiorias no Congresso pelos próximos dois anos. As pesquisas Reuters/Ipsos têm mostrado consistentemente que a principal preocupação dos eleitores para o pleito é a economia, muito à frente dos assuntos externos. LEIA MAIS Ataque ao Irã: entenda o que aconteceu e o que pode vir agora MAPA mostra como conflito se espalha no Oriente Médio Preço dos combustíveis preocupa Cerca de 45% dos entrevistados, incluindo 34% dos republicanos e 44% dos independentes, disseram que estariam menos propensos a apoiar a campanha contra o Irã se os preços da gasolina ou do petróleo subissem nos Estados Unidos. Os preços do petróleo tipo Brent saltaram 10%, chegando a cerca de 80 dólares o barril em negociações de balcão no domingo, segundo operadores. Analistas previram que os preços podem subir até 100 dólares devido ao conflito recente. Os Estados Unidos e Israel lançaram seus ataques após as negociações em Genebra entre os EUA e o Irã falharem em obter um avanço sobre o programa nuclear de Teerã. Washington quer que o Irã desista de todo o enriquecimento de urânio por acreditar que Teerã pretende construir uma bomba nuclear. O Irã nega querer a bomba e afirma que deseja processar urânio para produzir combustível para usinas de energia atômica. A pesquisa Reuters/Ipsos apontou que cerca de metade dos entrevistados — incluindo um terço dos democratas — disse que estaria mais propenso a apoiar os ataques ao Irã se eles levassem o país a abandonar seu programa nuclear. Trump afirmou no domingo que a nova liderança do Irã deseja dialogar com ele e que ele concordou, de acordo com uma entrevista à revista The Atlantic. 🔎A pesquisa Reuters/Ipsos mais recente coletou respostas online de 1.282 adultos em todo o país. A margem de erro é de três pontos percentuais.

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