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Após 13 dias de ocupação do Porto de Santarém, indígenas bloqueiam estrada de acesso ao aeroporto

2026-02-04 - 18:55

Indígenas bloqueiam BR 163 e estrada de acesso ao aeroporto de Santarém Treze dias após movimentos socioambientais-indigenistas iniciarem bloqueios da rodovia BR 163 (Santarém/Cuiabá), no perímetro sob concessão portuária, impedindo o acesso de caminhões, cargas e pessoas, a Comissão Estadual de Segurança Pública nos Portos (Cesportos PA) elevou para II o nível de segurança no porto de Santarém. Diante da decisão da Cesportos, os indígenas intensificaram o protesto bloqueando na tarde desta quarta (4), a rodovia Fernando Guilhon, principal via de acesso ao Aeroporto de Santarém - Maestro Wilson Fonseca. ✅ Clique aqui e siga o canal g1 Santarém e Região no WhatsApp Os manifestantes exigem a revogação do Decreto no 12.600/2025, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que autoriza a concessão de hidrovias à iniciativa privada, permitindo a dragagem do rio Tapajós. Pneus e troncos de árvores são usados no bloqueio que começou por volta das 14h na rodovia Fernando Guilhon. Rapidamente, uma fila de carros e motos se formou na pista. De acordo com o manifestantes, o bloqueio é por tempo indeterminado. Representantes do Ministério dos Povos Indígenas, da Secretaria-Geral e da Funai, que estão reunidos em Brasília (DF) nesta quarta para tratar das reivindicações dos povos do Baixo, Médio e Alto Tapajós, foram informados do bloqueio da Fernanda Guilhon pelo cacique Gilson Tupinambá. No porto de Santarém, a manifestação dos indígenas começou no dia 22 de janeiro e completa 14 dias nesta quarta. Indígenas ocupam acesso à multinacional Cargill em Santarém, no Pará. Reprodução/CITA Uso de força policial A Portaria Cesportos-PA, No 1, entrou em vigor às 12h de terça-feira (3). O documento autoriza o ingresso e a atuação da Polícia Militar do Estado do Pará, especialmente do efetivo do Batalhão de Missões Especiais (BME), na área do Porto de Santarém, nos casos de distúrbios, invasões ou grave perturbação da ordem pública nas instalações portuárias, nas áreas objeto de concessão pública e a bordo de navios, em atuação integrada e coordenada com a Polícia Federal. A Cesportos levou em consideração o aumento do número de manifestantes nos últimos dias e a intensificação das ações, como o bloqueio das vias secundárias, com barricadas de pneus e troncos de árvores; o controle imposto sob pessoas e veículos, intimidando e ameaçando, por vezes com flexas, tacapes e bordunas, cerceando-as o direito natural de ir e vir; e, recentes ameaças no sentido de bloquear e impedir o funcionamento de outros operadores portuários. Consulta prévia Além da revogação do Decreto no 12.600/2025, os manifestantes também exigem que o governo federal cumpra a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), assegurando a consulta livre, prévia e informada antes de qualquer intervenção no rio Tapajós, fonte de vida e alimento para centenas de famílias ribeirinhas. Para os representantes dos 14 povos presentes na manifestação, a dragagem do rio Tapajós afeta diretamente a vida, os direitos e o futuro dos povos indígenas do Baixo Tapajós, e afirmam: "Nossa luta é pelos povos do Baixo, Médio e Alto Tapajós, e pelo direito de decidir sobre nossos territórios, respeitando a sociobiodiversidade, os modos de vida e a continuidade do rio que é essencial para o presente e para o futuro." *Reportagem em atualização VÍDEOS: Mais vistos do g1 Santarém e Região

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