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Absolvição de ex-PM do trisal por morte de adolescente é contestada pelo MP; ‘mero inconformismo’, diz defesa

2026-03-23 - 11:10

Ex-sargento do trisal, Erisson Nery é inocentado de crime contra adolescente de 13 anos A decisão que absolveu o ex-sargento da Polícia Militar (PM-AC) Erisson de Melo Nery pela morte do adolescente Fernando de Jesus, de 13 anos, em 2017 na capital, foi questionada pelo Ministério Público do Acre (MP-AC). Segundo o documento que o g1 teve acesso, o pedido de revisão da sentença foi feito quatro dias após o júri popular que inocentou o réu, em 5 de março deste ano. O recurso é uma forma de pedir que a decisão seja revista por instâncias superiores. No documento, o MP alega, de forma geral, que pode ter havido erro no julgamento ou que a decisão dos jurados foi contrária às provas apresentadas no processo. 📲 Participe do canal do g1 AC no WhatsApp A defesa de Nery informou ao g1 que já foi notificada sobre o recurso e afirmou que vê a medida como uma discordância do resultado do julgamento. O advogado Wellington Silva disse que a absolvição está alinhada com as provas reunidas ao longo do processo. “Estamos cientes do recurso do Ministério Público, na verdade trata-se de mero inconformismo, vez que a decisão dos jurados foi a expressão exata das provas carreadas aos autos, ou seja, absolutamente harmoniosa com todo o acervo probatório, motivo pelo qual temos plena convicção de que o júri se manterá soberano”, declarou. 👉 Contexto: Erisson Nery respondia ao processo desde 24 de novembro de 2017 quando, segundo a denúncia, matou o adolescente com pelo menos seis tiros, no intuito de 'fazer justiça pelas próprias mãos', após o menor tentar furtar itens da casa dele. O caso foi julgado em 2024, quando ele foi condenado, mas depois o júri foi anulado a pedido da defesa e remarcado para março, que resultou na absolvição após os advogados sustentarem que o ex-PM agiu em legítima defesa. Segundo o Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC), o Ministério Público deve detalhar os argumentos do pedido, a defesa será intimada para responder, e o caso ainda passará por análise de instâncias superiores antes de qualquer decisão final. LEIA MAIS: Ex-sargento do trisal é inocentado por morte de adolescente de 13 anos no Acre Família de adolescente morto por ex-PM do AC pede aumento de pena e indenização de mais de R$ 2 milhões Trisal volta a mostrar rotina na internet após ex-sargento sair da prisão; ex-militar teve pedido de voltar à PM negado 'Passei nove anos batalhando para condenar', diz mãe de adolescente após júri inocentar ex-PM do trisal O Ministério Público defendeu a condenação e argumentou que houve excesso na ação, especialmente pelo número de disparos e pelas circunstâncias envolvendo a vítima, que tinha 13 anos. Conforme o órgão, o caso segue em andamento e a absolvição ainda pode ser reavaliada, a depender da análise das instâncias judiciais. Erisson Nery postou uma foto com os advogados celebrando o resultado Reprodução/redes sociais Condenação No primeiro julgamento, Erisson Nery havia sido condenado a oito anos em regime semiberto no dia 23 de novembro de 2024. O outro denunciado, Ítalo de Souza Cordeiro, foi absolvido pelo crime de fraude processual na mesma decisão assinada pelo juiz Robson Ribeiro Aleixo. Contudo, em maio de 2025, os desembargadores da Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC) anularam a sentença que condenou o ex-sargento. A decisão acolheu um recurso da defesa de Nery. Os advogados alegaram que o Ministério Público do Acre (MP-AC) utilizou provas que não constavam nos autos e que, por isso, a condenação não foi justa. Adolescente Fernando de Jesus, de 13 anos, foi morto a tiros em 2017 Arquivo pessoal Relembre o caso Conforme a denúncia, na manhã do dia 24 de novembro de 2017, Nery matou o adolescente com pelo menos seis tiros, no intuito de 'fazer justiça pelas próprias mãos'. O caso ocorreu no Conjunto Canaã, bairro Areal, em Rio Branco. Após o homicídio, ainda segundo a denúncia, Nery e o colega de farda Ítalo Cordeiro alteraram a cena do crime, lavando tanto o corpo da vítima quanto os arredores do local onde estava caído, para poder alegar que agiu em legítima defesa. O ex-sargento também foi ouvido em audiência de instrução em agosto de 2022 na 1a Vara do Tribunal do Júri. Em entrevista exclusiva ao g1, a mãe de Fernando, Ângela Maria de Jesus, relatou a curta trajetória de seu filho e disse que mesmo Fernando sendo dependente químico, o menino nunca foi agressivo, não estava armado e tinha porte de criança, não apresentando perigo ao ex-policial. Confira detalhes aqui. VÍDEOS: g1

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