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Ações de viagens despencam após conflito entre EUA e Irã provocar pior interrupção desde a pandemia

2026-03-02 - 17:33

Telão mostra voos cancelados para o Oriente Médio no aeroporto internacional de Hong Kong. Tyrone Siu/Reuters As ações do setor de viagens despencavam nesta segunda-feira (2), perdendo US$ 22,6 bilhões (R$ 117,5 bilhões) segundo a Reuters, uma vez que o conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã afetou voos em todo o mundo, fechou importantes hubs no Oriente Médio e fez os preços do petróleo dispararem, com analistas alertando para semanas de interrupções. Dados mostraram que pelo menos 4 mil voos foram cancelados em todo o mundo nos últimos três dias. Dubai, o hub internacional mais movimentado do mundo, e Doha permaneceram fechados pelo terceiro dia consecutivo, deixando dezenas de milhares de passageiros retidos, enquanto a aviação enfrentava seu maior desafio desde a pandemia da Covid-19. Nesta segunda-feira (2), a Jordânia se tornou o mais recente país da região a fechar parcialmente seu espaço aéreo. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 Os preços do petróleo chegaram a saltar 13%, atingindo o nível mais alto desde janeiro de 2025, conforme o Irã e Israel intensificavam os ataques, aumentando a perspectiva de custos mais altos de combustível para as companhias aéreas. LEIA MAIS Como o ataque dos EUA ao Irã pode afetar dólar, petróleo e o mercado financeiro Estreito de Ormuz: guerra no Oriente Médio coloca em risco rota vital do petróleo mundial; conheça As ações das companhias aéreas americanas caíram quando os mercados abriram nesta segunda-feira, com a American Airlines e a United Airlines recuando mais de 6%. Um grupo de 29 companhias aéreas, hotéis e agências de viagens líderes da Europa, Ásia e América do Norte perderam um total de US$ 22,6 bilhões (R$ 117,5 bilhões) em valor de mercado nesta segunda-feira, de acordo com cálculos da Reuters. A empresa de análise de aviação Cirium disse que pelo menos 1,5 mil voos foram cancelados nesta segunda, o que significa que mais de 4 mil foram cancelados desde sábado. As ações da TUI, a maior empresa de viagens da Europa, tinham queda de 9,6%, enquanto a Lufthansa caía 5,7% e a IAG, proprietária da British Airways, perdia 5,4%. A rede hoteleira Accor e a empresa de cruzeiros Carnival também registravam quedas acentuadas. “Todas as companhias aéreas estão lotadas e todos os voos estão lotados porque as pessoas estão tendo que aceitar o que podem”, disse Paul Charles, chefe da consultoria de viagens PC Agency, que ficou preso no exterior. Charles disse que as aeronaves e as tripulações estavam espalhadas pelo mundo nos lugares errados, em um “cenário de pesadelo”. Analistas destacaram o aumento dos custos com combustível, cancelamentos e despesas com redirecionamentos como os principais pontos de pressão para as companhias aéreas. JPMorgan, Goodbody e Citi apontaram a Wizz Air como a companhia aérea europeia mais exposta devido à sua grande presença em Israel. Suas ações tinham queda de 7% nesta segunda-feira. A Etihad, de Abu Dhabi, retomou alguns voos, enquanto o Aeroporto Ben Gurion, de Israel, disse que reabrirá de forma limitada. A autoridade de aviação civil dos Emirados Árabes Unidos começará a operar “voos especiais” nos aeroportos do país, informou a agência de notícias estatal WAM, como parte dos esforços para permitir que algumas das dezenas de milhares de passageiros retidos no Oriente Médio deixem a região. Mesmo antes do conflito, o setor já estava sob pressão, uma vez que os viajantes preocupados com os custos evitavam férias caras. A Norwegian Cruise Line Holdings previu na segunda-feira lucro em 2026 mais fraco do que o esperado. Muitas companhias aéreas do Oriente Médio continuavam cancelando voos. A flydubai suspendeu todos os voos de e para Dubai até as 15h (8h, horário de Brasília) de terça-feira. As ações das companhias aéreas asiáticas também foram afetadas, incluindo a japonesa ANA Holdings, a Air China, a China Eastern Airlines e a malaia AirAsia X, que caíram pelo menos 4%. A Cathay Pacific cancelou todos os voos para o Oriente Médio, incluindo para Dubai e Riad, e dispensou as taxas de remarcação. A Singapore Airlines cancelou voos de e para Dubai até 7 de março, enquanto a Japan Airlines suspendeu os serviços entre Tóquio e Doha. O analista independente de aviação Brendan Sobie disse que as companhias aéreas indianas estavam particularmente expostas devido aos intensos horários de voos para o Oriente Médio, que atendem trabalhadores migrantes, e à proibição do uso do espaço aéreo do Paquistão em voos de e para a Europa. A Air India cancelou voos entre a Índia e Zurique, Copenhague, Birmingham, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Israel e Catar, e informou que voos para Nova York e Newark reabastecerão em Roma. Passageiros correm para mudar de voo Os efeitos em cadeia afetaram viajantes em todo o mundo. Dubai foi o aeroporto internacional mais movimentado do mundo em 2024, com 92 milhões de passageiros, de acordo com o Conselho Internacional de Aeroportos, à frente do Heathrow, de Londres, por 13 milhões. Doha ficou em 10o lugar. A Lufthansa cancelou voos de passageiros de e para os Emirados Árabes Unidos, mas tentou voar com um jato Airbus de Dubai para Munique sem passageiros. Passageiros da Catar Airways em Sydney disseram à Reuters que se apressaram para reorganizar suas viagens com poucas informações. Ascanio Giorgetti, 16, e sua mãe, Alessandra Giorgetti, da Itália, descobriram que seu voo para Milão via Doha havia sido cancelado. Eles garantiram uma rota alternativa para casa via Los Angeles em outra companhia aérea. “Não temos nenhuma informação, nenhuma resposta no telefone da Catar (Airways)”, disse ela, acrescentando que as passagens custaram 4.000 euros. Jenni e Doug Stewart, ambos com 78 anos, estavam voando de Sydney para a Escócia via Doha quando seu voo voltou para Melbourne, antes de seguir para Sydney. “Fomos informados de que o espaço aéreo havia sido fechado”, disse Jenni. “Estava caótico em Melbourne, centenas de pessoas procurando até mesmo a mais vaga informação”, disse Doug. *Esta reportagem está em atualização

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