13 pontos e fotos da perícia que embasaram prisão do tenente-coronel suspeito de matar mulher em SP
2026-03-18 - 19:30
Ponto a ponto: quais foram os elementos da perícia que embasaram a prisão do tenente-coronel suspeito de matar mulher em SP Reprodução O tenente-coronel Geraldo Neto foi preso na manhã desta quarta-feira (18), em São José dos Campos, no interior de São Paulo, após um mês de investigações conduzidas pela Polícia Civil e pela Corregedoria da Polícia Militar. Gisele foi encontrada morta com um tiro na cabeça no dia 18 de fevereiro, no apartamento onde o casal morava, no Centro de SP. Inicialmente tratada como suicídio, a versão foi descartada pela investigação. Neto foi indiciado por feminicídio e fraude processual. A Polícia Técnico-Científica produziu mais de 20 laudos periciais em menos de um mês. Os resultados embasaram o pedido de prisão ao indicar que Gisele foi assassinada. Veja os principais pontos apontados pela perícia: 1) O disparo foi feito de baixo para cima, com o cano da arma encostado na cabeça Ponto a ponto: quais foram os elementos da perícia que embasaram a prisão do tenente-coronel suspeito de matar mulher em SP Reprodução 2) Não foram encontrados vestígios de pólvora nas mãos de Gisele nem nas de Geraldo Neto Ponto a ponto: quais foram os elementos da perícia que embasaram a prisão do tenente-coronel suspeito de matar mulher em SP Reprodução 3) A posição em que Gisele foi encontrada (caída e segurando a arma) é considerada incomum em casos de suicídio — o mais provável seria que a arma fosse solta após o disparo Posição do corpo de Gisele na cena do crime Reprodução 4) Gisele estaria na sala, de costas pra varanda, quando foi abordada por trás: o tenente-coronel teria imobilizado o rosto dela com a mão esquerda e apontado a arma com a direita Ponto a ponto: quais foram os elementos da perícia que embasaram a prisão do tenente-coronel suspeito de matar mulher em SP Reprodução 5) A vítima tentou desviar a cabeça para a esquerda: o movimento de defesa deixou marcas de unhas e dedos no rosto. O disparo ocorreu nesse momento, e o sangue atingiu o vidro da varanda e a parede, formando uma “área de sombra” compatível com a mão do atirador Ponto a ponto: quais foram os elementos da perícia que embasaram a prisão do tenente-coronel suspeito de matar mulher em SP Reprodução 6) O sangue escorreu pelo ombro de Gisele e mudou de direção quando o corpo foi colocado no chão, passando a atingir a região do peito Ponto a ponto: quais foram os elementos da perícia que embasaram a prisão do tenente-coronel suspeito de matar mulher em SP Reprodução 7) Já com a vítima no chão, o tenente-coronel teria colocado a arma na mão direita dela e soltado sobre a poça de sangue, e o impacto provocou respingos no rack da sala Ponto a ponto: quais foram os elementos da perícia que embasaram a prisão do tenente-coronel suspeito de matar mulher em SP Reprodução 8) O laudo apontou a presença de vestígios de sangue na bermuda usada por Neto no dia da morte da PM. Após a aplicação de reagente químico, houve reação positiva, em padrão compatível com gotejamento, indicando possível contato com sangue Ponto a ponto: quais foram os elementos da perícia que embasaram a prisão do tenente-coronel suspeito de matar mulher em SP Reprodução 9) O pedido de socorro à Polícia Militar foi feito 29 minutos após uma vizinha relatar ter ouvido o disparo Ponto a ponto: quais foram os elementos da perícia que embasaram a prisão do tenente-coronel suspeito de matar mulher em SP Reprodução 10) Em depoimento, Neto disse que estava no banho no momento do tiro, mas foi encontrado com o corpo seco pelos socorristas. Depois, tomou banho novamente, mesmo após orientação contrária de policiais. Antes disso, ele ligou para um desembargador amigo, que foi até o prédio Ponto a ponto: quais foram os elementos da perícia que embasaram a prisão do tenente-coronel suspeito de matar mulher em SP Reprodução 11) Exames com luminol detectaram sangue de Gisele no box do banheiro e em outros cômodos do apartamento Ponto a ponto: quais foram os elementos da perícia que embasaram a prisão do tenente-coronel suspeito de matar mulher em SP Reprodução 12) Após a perícia, três PMs mulheres foram ao imóvel para fazer a limpeza; a conduta levou à abertura de investigação por abuso de autoridade Ponto a ponto: quais foram os elementos da perícia que embasaram a prisão do tenente-coronel suspeito de matar mulher em SP Reprodução 13) Exame necroscópico indicou que Gisele tinha marcas de dedos no pescoço e desmaiou antes de ser baleada. Ponto a ponto: quais foram os elementos da perícia que embasaram a prisão do tenente-coronel suspeito de matar mulher em SP Reprodução A defesa de Geraldo Neto afirmou que a prisão é ilegal. Sem entrar no mérito das acusações, os advogados alegam que a Justiça Militar não tem competência para determinar medidas invasivas como a prisão, que, segundo eles, deveria ser decretada pela Justiça comum. Tenente-coronel humilhava A Corregedoria da Polícia Militar conseguiu extrair do celular do tenente-coronel Geraldo Neto troca de mensagens entre ele e a esposa, a PM Gisele Alves Santana, morta com um tiro na cabeça no apartamento onde eles viviam, no Centro de São Paulo. Nas conversas com o marido obtidas pelo SP1, da TV Globo, Gisele afirma que era submetida a episódios de humilhação, piadas e comportamento “babaca” por parte do marido, até no ambiente de trabalho na Polícia Militar, onde ele aparecia na seção onde ela trabalhava e ficava horas observando o trabalho dela. Em um dos diálogos, ela escreve que Geraldo Neto teria que mudar o comportamento “babaca” e “sem escrúpulos”. Imagens mostram o tenente-coronel Geraldo Neto preso pela morte da mulher “Não dá para entender. Você pediu para eu não ir embora. Eu fico e você continua igual, até pior, com seu tratamento. Falando coisas para me humilhar, para me provocar”, escreveu a PM, morta com um tiro na cabeça. “Se você quer separar, vamos separar. Mas, se você continuar, vai ter que mudar seu comportamento estúpido, ignorante, intolerante e sem escrúpulos. Estou deixando bem claro para você que não vou aguentar muito tempo esse comportamento babaca”, afirmou. Gisele Alves Santana também reclamou: “Toda hora jogando piada, me chamando de burra, mandando arrumar um soldado. O que a função tem a ver com relacionamentos?”, disse. LEIA MAIS: Amigo de tenente-coronel, desembargador não interferiu em cena do crime, diz corregedor da PM Trajetória da bala, cena montada e ferimentos no pescoço levaram polícia a apontar feminicídio na morte da soldado da PM em SP De queixa de ciúmes a pedido de prisão do marido: veja cronologia do caso de PM morta com tiro na cabeça Em outras mensagens, segundo a investigação, Geraldo Neto faz declarações machistas contra a esposa: “Lugar de mulher é em casa, cuidando do marido. E não na rua, caçando assunto. Rua é lugar de mulher solteira à procura de macho”, declarou. A PM Gisele Alves Santana e o tenente-coronel Geraldo Neto, acusado de assassinar a mulher no apartamento onde eles viviam, no Centro de São Paulo. Reprodução/TV Globo Para a Corregedoria da PM - que pediu a prisão do tenente-coronel - os diálogos revelam a “concepção de relacionamento baseada em submissão e hierarquia no âmbito doméstico”. “Tais manifestações não se apresentam como meros desentendimentos ocasionais entre um casal, mas sim como indícios de violência psicológica reiterada, caracterizada por tentativas de controle, constrangimento e desqualificação da autonomia da Sd PM Gisele”, disse a investigação. Na visão dos investigadores da PM, “antes mesmo do evento fatal investigado, a Sd PM Gisele já estaria submetida a um ambiente relacional marcado por comportamentos agressivos e potencialmente violentos”. "O conteúdo extraído do aparelho celular não apenas confirma o contexto de conflito conjugal anteriormente relatado por testemunhas, como também evidencia elementos objetivos de violência psicológica e dinâmica relacional marcada por tensão e controle, circunstâncias que assumem relevância para compreensão do ambiente em que se inserem os fatos investigados", disseram os policiais corregedores que investigam o caso. Mensagens trocadas entre o tenente-coronel Geraldo Neto e a esposa PM Gisele Alves Santana. Reprodução/TV Globo Prisão em São José dos Campos A Justiça Militar decretou nesta terça-feira (17) a prisão preventiva do tenente-coronel Geraldo Neto. Ele foi preso pela Corregedoria da Polícia Militar (PM) em São José dos Campos, interior do estado, por volta das 8h17 desta quarta-feira (18). Por meio de nota, a defesa do oficial reagiu à prisão de seu cliente alegando que ela não poderia ter sido feita pela Justiça Militar. Veja o momento que tenente-coronel deixa condomínio com policiais no interior de SP "A Justiça Militar é incompetente para analisar, processar e julgar o caso e, especialmente, para decretar medidas cautelares", disse o advogado Eugênio Malavasi, que defende Geraldo. O criminalista vai suscitar conflito de competência com a Justiça comum. Antes de ser detido, o coronel alegava que a esposa havia se suicidado após uma discussão. Mas essa versão caiu por terra após a Polícia Civil passar a investigar o caso como morte suspeita e laudos periciais indicarem que Geraldo matou a soldado (saiba mais abaixo). A Corregedoria da PM pediu a prisão do coronel com base na investigação da Polícia Civil, que um dia antes o indiciou pelos crimes de feminicídio (homicídio contra mulher por questões de gênero) e fraude processual (ter adulterado a cena do crime). Coronel Geraldo Neto (ao centro) é preso pela Corregedoria da PM por suspeita de matar a esposa, a soldado Gisele Alves Reprodução/TV Globo Ainda na terça-feira (17), a delegacia que investiga o caso também pediu a prisão de Geraldo, mas a Justiça comum ainda não havia se manifestado. A decisão de prender o coronel saiu antes pela Justiça militar. O que diz a Justiça Militar Por meio de nota, o Tribunal de Justiça Militar (TJM) informou que "a prisão preventiva foi decretada com base na garantia da ordem pública, na conveniência da instrução criminal e na necessidade de preservação da hierarquia e disciplina militares". "O magistrado destacou o risco de interferência nas investigações, inclusive pela possibilidade de influência sobre testemunhas, além da gravidade concreta dos fatos apurados. A decisão também autorizou a apreensão de aparelhos celulares, a quebra de sigilo de dados eletrônicos e o compartilhamento de provas com a Polícia Civil, que conduz investigação paralela", informa trecho do comunicado do TJM. O tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, marido da policial militar Gisele Alves Santana. Reprodução/TV Globo Na determinação, o juiz militar também determinou que "o investigado deverá ser submetido a audiência de custódia, conforme previsto na legislação vigente" e as investigações prosseguem para o completo esclarecimento dos fatos. Também por nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que o coronel seguirá preso para o 8o Distrito Policial (DP), Brás, no Centro de São Paulo, onde Geraldo é investigado pelo assassinato de Gisele. Ele será interrogado e passará por exames de corpo de delito. Após isso, irá para o Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte da capital. "O Inquérito Policial Militar (IPM) será concluído nos próximos dias", informa o comunicado da pasta da Segurança. Laudos apontam feminicídio Tenente-coronel Geraldo Neto é preso nesta manhã em São José dos Campos A decisão das autoridades em pedir a prisão de Geraldo aconteceu após a Polícia Técnico-Científica anexar ao inquérito laudos relacionados à morte de Gisele. Indícios que constam em dois dos 24 laudos foram determinantes para isso: Trajetória da bala que atingiu a cabeça da vítima; Profundidade dos ferimentos encontrados. Resultados de exames, como o necroscópico, o da exumação do corpo e o toxicológico foram cruciais para a delegacia concluir que Geraldo matou Gisele por ciúmes e possessividade. O oficial tem 53 anos; Gisele tinha 32. Muitos dos laudos foram refeitos a pedido da própria investigação porque havia dúvidas sobre as circunstâncias da morte da soldado. Veja abaixo a importância de cada um deles para a investigação: Necroscópico: concluiu que Gisele tinha marcas de dedos no pescoço e desmaiou antes de ser baleada e morta com um tiro na cabeça; Trajetória do tiro: apontou que o disparo foi dado de baixo para cima e com o cano encostado na cabeça; Exumação: vários exames foram refeitos no corpo, até mesmo complementares, como o necroscópico; Toxicológico: não encontrou resquícios de álcool ou drogas, descartando a possibilidade de ela ter bebido ou estar dopada; Residuográfico: não detectou pólvora nas mãos de Gisele nem nas de Geraldo; De local de crime: Gisele foi encontrada caída e segurando a arma, o que é incomum em casos de suicídio _segundo peritos, o mais provável é que ela largasse a pistola. Laudo mostra que PM morta em São Paulo tinha ferimentos no rosto e no pescoço Outros pontos que chamaram a atenção: O fato de o coronel ter telefonado para a PM, para pedir socorro, apenas 29 minutos minutos após uma vizinha escutar um tiro; O coronel havia dito que tinha tomado banho antes de a mulher atirar, mas quando socorristas chegaram ao imóvel o encontraram com o corpo seco; Somente após ter ligado para um desembargador amigo dele, que foi à residência, é que Geraldo foi se banhar, desobedecendo inclusive orientação de policiais militares que estavam no local. Câmeras de segurança gravaram o encontro do coronel com o desembargador (veja vídeo nessa reportagem); Exames indicaram a presença de sangue de Gisele no box do banheiro e em outros cômodos do apartamento. A perícia usou o luminol _equipamento com reagente químico, que indica substância hematóide contra a luz _ para achar as gotas de sangue; Após a perícia na residência, três policiais militares mulheres foram até lá limpar o imóvel. Por causa dessa conduta, o coronel passou a ser investigado pela Corregedoria da PM também por abuso de autoridade. Geraldo havia pedido afastamento da corporação após a morte da esposa; Sexológico: constatou que ela não estava grávida; Reconstituição: conhecido tecnicamente como reprodução simulada, ele apresentará por meio de fotos as versões que Geraldo e testemunhas deram para o que ocorreu. Ainda não ficou pronto. Viaturas da Corregedoria da PM chegam ao condomínio de São José dos Campos onde o tenente-coronel mora. Reprodução/TV Globo LEIA TAMBÉM: VÍDEO mostra policiais indo limpar apartamento depois de morte Caso da PM morta em São Paulo. Fantástico Socorrista diz que desconfiou da forma em que arma estava encaixada na mão de PM encontrada baleada Reprodução/TV Globo Amigo de tenente-coronel, desembargador não interferiu em cena do crime, diz corregedor da PM