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101 milhões de pessoas têm dívidas no cartão de crédito com juros acima de 100% ao ano, diz presidente do BC

2026-03-26 - 15:40

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira (26) que 101 milhões de pessoas no Brasil têm dívidas no cartão de crédito, pagando taxas de juros acima de 100% ao ano, as mais caras do mercado financeiro. Os dados referem-se a janeiro deste ano. Segundo ele, as pessoas estão tomando linhas de crédito que deveriam ser usadas somente em momentos emergenciais de forma recorrente, e que isso poderia ser alvo de uma discussão estrutural. A declaração acontece em um momento no qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está demonstrando preocupação maior com o nível de endividamento da população que, segundo dados d próprio BC, está entre os maiores níveis das últimas décadas. "Falei para meu ministro da fazenda [Dario Durigan] pra gente resolver a dívida das pessoas. Não quero que deixem de endividar para ter coisas novas na vida, mas ver como a gente faz pra facilitar o pagamento do que devem", disse Lula nesta quinta-feira. De acordo com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, houve quatro choques econômicos nos últimos anos que impulsionaram a inflação nos últimos anos: Covid, guerra na Ucrânia, guerra tarifária dos Estados Unidos e agora o conflito no Oriente Médio. Por conta disso, apesar dos juros altos, os preços relativos subiram nos últimos anos. "O cidadão vê os preços. Entende pouco de IPCA, mas vê o preço do leite e do pão. A gente vem de quatro choques consecutivos. Mesmo que consiga controlar a inflação, os preços subiram quatro degraus. Isso se soma ao que está impactando orçamento das famílias", explicou Galípolo, do BC. Por conta disso, explicou ele, houve um impacto na renda do trabalhador brasileiro, que buscou complementá-la com financiamentos junto aos bancos. "Cresceu o número de cartões crédito" observou ele. Por fim, o presidente do Banco Central afirmou que é preciso que os trabalhadores busquem linhas de crédito mais compatíveis com renda, não usando o crédito rotativo como complemento de renda - pois essa linha de crédito tem taxas "punitivas".

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